Da esquerda para a direita: Prioridades

Há indignidades na política que saltam à vista. No mesmo dia em que se chumba uma proposta para a criminalização do abandono de idosos, ficamos a saber que podemos levar animais ao restaurante. Prioridades do mundo pós-moderno? Talvez. Falta de vergonha na cara? Certamente. A par de cortiça e calçado, Portugal é hoje também, um produtor eficaz de leis muito estúpidas.

Não só pelo conteúdo e validade das mesmas, sempre discutível em política, mas pela prioridade pretensiosa e falsamente fraturante das causas que vai defendendo. A ideia subjacente a tudo isto, harmoniosamente abrilhantada pela cultura patética do politicamente correto, é a de que os governos servem para legislar para qualquer minoria ou, se necessário, para um indivíduo que seja.

As provas disso são evidentes e entram-nos diariamente casa adentro: no mesmo país que arde e vê as suas gentes morrer sem auxílio, o governo enfrenta com pujança rissois em serviços públicos. No país que celebra estrangeiros ricos a viver em Lisboa, o governo vota o interior do país ao desprezo, agindo como Pilatos em face de crimes ambientais.

Nem a propósito, à hora a que escrevo este texto, o Presidente da República promulga a criação de mais uma agência, neste caso, na área da proteção civil. Dia após dia, lei após lei, o interior do país continua a desaparecer.

A diarreia legislativa não pára e, pelo caminho, de preferência, arranja trabalho a uns quantos césares. Observatórios, agências e outras excrescências. Este é o retrato do país que, quanto a mim, não tem falta de leis. Terá, quanto muito, falta de gente presa.

Diogo Pascoal – CDS Almeirim

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