Da esquerda para a direita: Salvar o Rio Tejo

A bacia hidrográfica do Tejo abrange cerca de 80.500 quilómetros quadrados, dos quais 24.650 em Portugal, correspondendo a mais de 28% do território continental, e alcançando 102 concelhos portugueses, onde se inclui Almeirim.

Esta bacia é de extrema importância nas vertentes social, económica e ecológica, sendo ainda uma importante fonte de água para consumo humano e para a atividade agrícola, acrescida de ser o “ganha-pão” das comunidades piscatórias que ainda persistem ao longo do rio. No entanto, nos últimos anos têm existido graves episódios de poluição, que são bastante visíveis, com denúncias constantes e divulgados pela Comunicação Social.

A poluição resulta das atividades industriais que existem e algumas já identificadas, mas também pela inexistência ou mau funcionamento de ETAR. Estes acontecimentos, intensificados pelos períodos de seca e de temperaturas elevadas, transformam alguns troços do Rio Tejo num verdadeiro «esgoto» lastimável com cheiros nauseabundos, cheios de espuma e originando a morte de milhares de peixes e de outros seres vivos.

Estas situações colocam em causa, de forma muito acentuada, a qualidade da água, afetam as populações ribeirinhas, assim como as suas atividades piscatórias, agrícolas, industriais, de recreio, lazer e desporto em toda a extensão do Rio Tejo, com consequências até para a saúde pública.

É necessário olhar para este património natural com outros olhos, uma vez que o rio Tejo está constantemente a ser “atacado” através de descargas ilegais e caudais insuficientes para a manutenção dos seus ecossistemas. A falta de água não acontece apenas no verão!

O Tejo por ser um rio internacional está sujeito às regras da Convenção de Albufeira, que defende mais os interesses das hidroelétricas e não as necessidades das populações e dos ecossistemas, pelo que os partidos que compõem a CDU têm reclamado a sua revisão e exigido ao Governo Português que demonstre a sua determinação junto do Governo Espanhol, para realizar essa revisão. Esta é uma questão fundamental na gestão conjunta dos rios internacionais para se conseguir, no mínimo, a manutenção de caudais ecológicos em Portugal que nos permitam garantir a sustentabilidade deste património natural.

A CDU apresentou uma Moção na Assembleia Municipal de Almeirim, no passado dia 6 de dezembro tendo sido aprovada por unanimidade, em que defendia ser necessário exigir das entidades com competências próprias, a aplicação efetiva das medidas necessárias para salvar o Tejo, de que são exemplo o controlo mais regular, a exigência de investimentos ambientais, mais recursos humanos para fiscalização e não facilitar a impunidade dos poluidores.

Ana Rita Fernandes – CDU Almeirim

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