Centenário do Poeta

Escrever sobre Francisco Henriques não é tarefa fácil. A diversidade de trabalhos que produziu, com grande qualidade, aliada ao seu modo de estar, constitui um desafio importante e apetecível.

Nasceu em Almeirim a 25 de junho de 1917, vindo a falecer no ano de 2002. Com uma origem modesta, procurou, desde muito cedo, enriquecer os seus conhecimentos através de leituras e consulta de grandes mestres da literatura e poesia. Como escreveu:
Com pais de recursos falhos,
Fui homem sem ser menino,
Pois que do pobre, o destino
É uma carga de trabalhos.

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Às suas leituras reuniu os dotes artísticos que lhe eram inerentes, sendo o desenho a sua primeira vocação. No entanto, tendo oportunidade de frequentar as Belas Artes, em Lisboa, acabou por não concretizar esta aspiração. Foi funcionário do Cartório Notarial de Almeirim durante 18 anos, mudando depois para o comércio, num estabelecimento do seu sogro, onde esteve 28 anos. Decidiu enveredar pelo charadismo, onde foi exímio criador de charadas. A estas atividades juntava a sua apetência pelo jogo de damas, tornando-se num excelente jogador.

A sua descoberta da poesia vem desta atividade ,uma vez que publicava os enigmas em desenho e em verso, com preferência especial para o soneto.
Iniciou a sua participação em Jogos Florais, no ano de 1964, tendo obtido uma menção honrosa nos Jogos Florais da CUF.

Prezava muito os livros, considerando-os um dos seus “amores”, trazendo a sua biblioteca arrumada com esmero. Certa vez, questionado por ter livros no chão da sala, visto as estantes estarem cheias, respondeu: “Quando poupo dinheiro para a estante acabo por gastá-lo em livros”.

Aos 55 anos iniciou o seu trabalho como contabilista na Quinta da Alorna. Homem metódico e modesto, encantava quem lesse a sua poesia, numa afirmação de beleza que nos conforta. Era igualmente um conselheiro que a todos respondia, quando abordado.

Talvez num dia especial ou numa hora de nostalgia, compôs esta quadra que é a sua referência:
Almeirim, a terra mãe
Recordará o poeta
Que andava num vai vem,
Na sua velha bicicleta.

Nas conversas que tive com poetas de outras regiões do país e que o conheciam, surgia sempre esta quadra como uma criação de grande qualidade.

Eurico Henriques

Memória

Decorreu até 17 de dezembro, na Biblioteca Municipal de Almeirim, uma exposição sobre a vida e obra de Francisco Henriques, poeta escolhido como tema para o “Clientes da Cultura” de outubro.

No âmbito da celebração do centenário de nascimento de Francisco Henriques, a biblioteca destacou durante os meses de outubro, novembro e dezembro o poeta local que mais prémios e condecorações obteve em vida. Na exposição era possível ver elementos pessoais, incluindo desenhos inéditos da sua atividade, enquanto charadista. Foi visitada por inúmeras pessoas, munícipes, alunos do concelho, visitantes e familiares.

Francisco Henriques, considerado o poeta de Almeirim, nasceu no dia 28 de junho de 1917 e morreu em 2002. Era um homem discreto, uma figura distinta, um honrado marido, pai de 2 filhos e avô, foi um honesto profissional, contabilista na Quinta da Alorna.

Dedicava-se à leitura e à escrita, o que conduziu à participação nos Jogos Florais, quer de Almeirim, quer de outras localidades, tendo sido o patrono de alguns.
A sua alma poética está dispersa por vários trabalhos publicados em revistas, almanaques de Portugal e do Brasil e jornais, como por exemplo “Esta pequena Raça de Gigantes”, para o nosso jornal, que saiu na edição de 15 de junho de 1990. ­ Escreveu ainda inúmeros poemas únicos não divulgados para o público.

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