Retrospetivas

Chega-se o momento do ano em que retiramos da parede um calendário já desprovido de folhas por outro com mais um número e ainda por encetar. Alguns fazem as contas finais, outros retrospetivas.

O tempo passa, claro, os comentários em relação a essa conclusão óbvia disparam por esta altura, avaliando por experiência pessoal, e arrisco na afirmação de que desabafos como “mais um ano que passou”, “até parece que foi ontem”, “e já lá vai mais um”, ou até o “passa a correr” estão bem cotados nas listas das frases mais ditas em festas entre os votos de natal e de ano novo. Uma atitude e demonstração de negativismo que se alastra e contamina mais rápido que a gripe anual da moda.

Depois de ouvir tantos comentários desses, acabei por desenvolver uma resposta elaborada porque, em boa análise, a conversa do tempo é como a conversa do tempo. Não, não me repeti por descuido, o segundo tempo que referi é o meteorológico, e todos sabemos que, em último recurso, perante um silêncio constrangedor, ou para conseguir iniciar um diálogo, recorremos aos feitos de S. Pedro para desbloquear a conversa. A boa resposta que desenvolvi tem tudo contra o efeito negativo que o desabafo do tempo arrasta, porque o positivismo até no tempo ajuda.

No fundo, o que chamo sempre à atenção, é a importância que se dá a poucos momentos importantes durante o ano como o principal problema. Normalmente aniversários, um triste acontecimento e as férias, além dos dias finais de dezembro, os restantes dias acabam por ser desvalorizados e esquecidos. Por este pensamento o ano deixa de ter 365 dias e passa a 15, porque esse é o número dos que são lembrados e, por lógica, resumindo a isso, o tempo voa muito rapidamente.

Em reta final do ano, e antes de proferirem os típicos comentários, tentem esse exercício. Todos os momentos são importantes e contam, sejam eles bons ou maus, são histórias e experiências que não devem ser esquecidas. Vão entender que, provavelmente, muito aconteceu nesse ano que, afinal, não passou a correr.