A Guitarra e a Alma

Procuramos algo que nos reconforte, que nos repare ou preencha a alma, um lado que não devemos descurar para dar uma continuidade mais harmoniosa aos nossos dias. A cultura sob todas as formas, alimenta-nos a alma, educa-nos, e abre-nos novos horizontes de como ver o mundo.

O festival de Almeirim, o Guitarra d’Alma, tem por isso a pretensão de trazer essa oportunidade mais perto de todos, através da música, da Guitarra Portuguesa, das violas, de outros instrumentos e das vozes. Promovido pela autarquia, tem a direcção artística do seu mentor, o Mestre Custódio Castelo. Uma aposta, em particular do Presidente da Câmara, com vista a criar ofertas e a formar públicos fora dos circuitos culturais das grandes cidades. É o caminho há alguns anos em muitas outras cidades, depois da melhoria das salas de espetáculo por todo o país.

E a cultura tem de ter investimento, quer de mecenas, entidades públicas e do público. É imperativo nas sociedades ditas modernas, independentemente da região a que pertençamos. Pelo trabalho de comunicação que desenvolvo, acompanho o evento desde o seu início, onde algumas iniciativas são gratuitas e outras de valor simbólico. Em palco, no encerramento do festival, no fim de semana de descontos, chamei-lhe o “Black Friday” da cultura em Almeirim. Porque se estivéssemos sentados no CCB em Lisboa, teríamos pago pelo bilhete 17 euros; no Olympia em Paris, talvez 25; em Londres 30 libras, não numa sala principal, e chegaria aos 40 ou 50 dolares, também dependerá da sala, em Nova Iorque.

Não estamos a filosofar. Sim, alguns dos participantes do cartaz, deste e dos outros anos, percorrem as principais salas de espetáculos de todo o lado. Por cá o bilhete mais caro foi de 10€. O festival irá crescer, assim se espera, de artistas, de eventos, e de orçamento. É unânime que uma adequada promoção trará outro retorno. Por exemplo um casal de Matosinhos soube do acontecimento pela ligação próxima à atividade de Custódio Castelo, veio à sopa de pedra, foi ao concerto e dormiu na hotelaria local. Tudo poderá ser multiplicado na relação de ideias anteriores. A ver vamos! Almeirim e a região merecem!

Como ponto de partida, o festival tem a mais-valia do seu criador que é filho da terra. É autor, compositor, exímio instrumentista da Guitarra Portuguesa e professor, e desenvolve estas atividades de forma intensa, ao serviço do Fado e da Guitarra Portuguesa, pelo país e pelo mundo. Bem-haja!

 

Marcelo Mendes – Comunicador