“Procuraremos sempre respeitar um símbolo que está acima de todos nós”, afirma José Salvador

O Campeonato Nacional da 2.ª Dvisão arrancou com uma vitória do HC Tigres frente ao Marinhense, uma equipa que vai lutar pelos primeiros lugares. O início dos seniores e de mais uma temporada desportiva foi o mote para a conversa de O Almeirinense com o Presidente do clube sobre os objetivos para 2017/2018.

Que expectativas tem para a nova temporada desportiva?

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Antes de mais, quero agradecer o convite feito pelo Jornal Almeirinense e dizer-vos que é um enorme prazer poder responder às vossas perguntas. Quanto às nossas expectativas para esta nova temporada, elas são de uma clara consolidação a nível financeiro, melhoria ao nível desportivo, tanto da equipa sénior, como da formação e criação de novos vetores da patinagem, como sejam a patinagem de velocidade que esta época abrimos no clube.

As atenções estão centradas nos seniores, mas o clube também aposta na formação?

A gestão que a atual Direção do clube faz diariamente é no sentido geral. Obviamente que centrámos a nossa atenção do plantel sénior, além da formação do hóquei, mas procurámos dar um sentido global ao Clube, até porque temos também a formação da Patinagem Artística e ainda outras modalidades como sejam o Yoga, o Kempo e a recente patinagem de velocidade.

Recuando alguns meses, qual a razão da mudança de treinador nos seniores?

Antes de mais, devo apenas relembrar que o treinador Rui Oliveira já trabalhava connosco na formação quando lhe foi feito o convite para abraçar em acumulação o projeto dos seniores. Este ano, a passagem do mister Rui Oliveira dos Seniores novamente para a formação, foi definida internamente e por acordo entre as duas partes. O seu desempenho ao leme dos seniores na época transata, pela dificuldade que ela significou, foi muito meritório e por vezes mal compreendido. O Rui, por ser da terra, abraçou um projeto difícil, num claro espírito de missão que, a mim, como presidente do Clube, muito me honra. Por outro lado, o Paulo Beirante, atual treinador dos seniores, na última época dignificou o nome dos Tigres ao levar a nossa “Procuraremos sempre respeitar um símbolo que está acima de todos nós” equipa de formação de SUB 13 à vitória da TAÇA APL – feito histórico no nosso Clube.

A constituição do plantel foi feita com base na manutenção de alguma experiência e juventude?

Foi nosso objetivo claro este ano, na constituição do plantel sénior, procurar fazer uma mistura entre a experiência e maturidade de alguns jogadores, com a juventude e irreverência de outros que agora chegam ao primeiro ano de seniores. Procuramos manter a espinha dorsal da equipa e ainda trazer jogadores que por cá já passaram, como é o caso do Kéké (André Martins) que já cá tinha jogado há duas épocas atrás, ou do Hernâni que por cá tinha passado durante a sua formação e que sentem o que é ser um Tigre.

Assume que o objetivo passa por lutar pela subida?

O objetivo passa primeiro por melhorar a classificação do ano passado (10.º classificado), sem nunca descurar os lugares cimeiros e, claro, se surgir esse cenário, num objetivo estabelecido de jogo a jogo, conquistando os três pontos, iremos aproveitar.

Não tem todos os escalões de formação no Clube. Quando termina este problema, que não será só da sua responsabilidade mas de quem esteve no passado?

Sem querer desresponsabilizar a atual direção ou outras que por cá passaram, devo dizer- vos que o clube, que este ano completou 40 anos, poucas vezes ao longo da sua existência teve todos os escalões da formação. Obviamente que este é um problema sério que temos tentado consolidar na base, ou seja nos escalões mais novos. Agora, também é certo que a patinagem é um desporto caro e que por vezes os pais procuram alternativas mais em conta. Cabe-nos a nós ir procurando divulgar a modalidade e ao mesmo tempo captar miúdos para que, no futuro, isso possa acontecer.

Este problema, associado às dificuldades financeiras são os maiores problemas do HC Os Tigres?

Sem dúvida. Estes dois problemas associados a outros, como sejam, por exemplo, a localização geográfica periférica do clube em termos de implantação, prejudica-nos claramente. Temos alguma dificuldade financeira em poder captar jogadores ou mesmo treinadores, pois estamos longe de alguns eixos estratégicos da modalidade. Outro dos nossos problemas prende-se com a falta de sustentabilidade que o clube viveu no seu passado recente. Existiu claramente uma situação de viver acima das nossas capacidades o que condicionou claramente o futuro do clube.

Por falar em problemas financeiros, qual é a atual situação?

Tal como lhe disse anteriormente, entendo que o clube viveu claramente acima das suas possibilidades. De um modo geral, sabíamos ao que vínhamos. Também lhe posso dizer que, infelizmente, ainda encontrámos mais algumas surpresas desagradáveis, agora aquilo que lhe digo, é que, no espaço de um ano, conseguimos estancar os enormes problemas que o clube tinha e que punham em causa a sua própria existência. Nem todos foram ainda totalmente resolvidos e sabemos que passaremos os três anos do nosso mandato limitados na nossa ação/ambição e, por vezes, numa situação de “apagar fogos que outros atearam”. Por isso sempre dissemos desde o início que a sustentabilidade do nosso projeto era um dos pilares basilares, mesmo que isso implique reduzir alguma ambição desportiva que todos achamos que o clube deve ter.

A época está garantida?

Apesar deste grande senão, que foi a inclusão do Candelária na Zona Sul do Campeonato Nacional – 2.ª Divisão – situação não prevista inicialmente e que obriga todas as equipas a fazer duas viagens aos Açores, no nosso caso no espaço de 45 dias. Existe sempre da nossa parte uma clara intenção da sustentabilidade do projeto e, apesar de nunca sabermos aquilo que nos espera no futuro, podemos dizer que trabalhamos diariamente para que isso aconteça.

Que investimento houve?

Qual a fatia do orçamento é suportada pelo apoio da autarquia? O investimento que existe decorre de todas as receitas normais deste tipo de instituição. O apoio fundamental da autarquia e cujo valor é do domínio público, a cotização dos nossos sócios que nesta hora difícil não nos abandonaram, conjugado com todas aquelas empresas que, apesar de enormes dificuldades, sempre apoiaram o clube dentro das suas possibilidades, e em que aqui quero destacar claramente o Restaurante o Forno que, desde o primeiro momento, sempre foi um dos nossos parceiros e que nos apoiou sempre incondicionalmente.

O facto de terem o orçamento maior, faz com que tenham maior responsabilidade?

A nossa responsabilidade e compromisso foi, é e será sempre de valor máximo enquanto estivermos na direção do clube, independentemente do valor do orçamento. Procuraremos sempre respeitar um símbolo que está acima de todos nós, com maior ou menor sucesso, as pessoas passam, mas o clube, esse, fica sempre. Por fim, quero aproveitar a oportunidade que nos foi concedida para apelar aos sócios do clube e a todos aqueles que gostam da modalidade que venham semanalmente apoiar as nossas equipas, pois o vosso apoio é fundamental e sabemos que juntos seremos sempre mais fortes.

 

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