Exame Auditivo de um vinho

E esta, hein!? Com esta é que não contava… Mas é um facto, há diversos pormenores sonoros aos quais deve estar atento quando consome um vinho, já para não falar da estreita ligação que existe entre o vinho e a música.

Comecemos pelo vinho e os sons. Quando abrir uma garrafa que tenha uma rolha, esteja atento ao som que é produzido: um ruído frouxo, normalmente é sinónimo de pouca qualidade da rolha e isso pode, naturalmente, ser sinónimo de um vinho com poucas virtudes. E podem ser várias as razões: uma, a económica; outra, a ausência de estudos de compatibilidade do gargalo com a rolha adequada à vedação eficaz do vinho. Por isso, é pretendido ouvir um som energético, sinal de um bom investimento nesta área e, para que tenha uma ideia, a área das rolhas é um mundo, cujo tema será abordado noutra crónica, por ser tão complexo. Mas onde uma rolha natural, 100% cortiça, pode custar mais do que uma garrafa de vinho pronta a consumir.

No caso de estar a consumir um vinho tinto, deve observar se existem bolhas no mesmo, e se alguma vez lhe calhar, pode constatar que também emitem um ligeiro som. Isso é devido à libertação de gás carbónico, sinónimo de que a fermentação maloláctica (conversão do ácido málico em láctico) não se realizou na totalidade antes de o vinho ser engarrafado. Isto é indicador de um vinho instável e, obviamente, de uma qualidade suspeita.

Agora sons positivos! O produzido por uma abertura bem sucedida de uma garrafa de vinho, o que usualmente é sempre sinal de prazer, satisfação e a maioria das vezes convívio. Existe também um que me é muito especial e talvez não consiga descrever muito bem e deve passar despercebido à maioria dos consumidores, que é o produzido quando se serve o primeiro copo de vinho, o vinho a sair da garrafa produz um glu-glu delicioso, que me leva logo a crer que vem aí um bom momento.

Outro que é sinónimo de alegria, o emitido pelos brindes em copos, a celebrar os mais variadíssimos motivos possíveis: o nascimento de uma criança, um aniversário, uma conquista futebolística e para mim um dos mais válidos, à Amizade. Celebre a vida com moderação e com vinho de qualidade, pois a vida é demasiado curta para se beber mau vinho. Até à próxima.

 

Rita Conim Pinto – Enóloga