Regresso às aulas: conselhos práticos

Setembro é um mês de mudanças, renovação e recomeço. Com o fim do período do merecido descanso, o voltar ao trabalho e o início das aulas marcam a vida de cada um de nós, sejamos crianças, adolescentes ou adultos.

As famílias necessitam de se adaptar e de construir estratégias sólidas para que seja possível encarar o futuro imediato de mais um ano letivo. Este é um processo de razoável agitação, por vezes encarado com a euforia de estrear novos materiais e manuais escolares, outras com a ansiedade de se avizinhar o desconhecido. Levantam-se, frequentemente, fragilidades associadas à necessidade de adaptação à nova escola, a novos professores e grupos de pertença. Também aqui observamos a ambivalência associada ao desejo de aprender com os novos desafios e a insegurança de não ser capaz de ser bem sucedido nos obstáculos. A forma como os adultos encaram este processo é relevante nas estratégias que as crianças e os adolescentes irão utilizar.

A verdade é que a modelagem e a imitação servem como forma de aprendizagem, sendo frequente observar jovens positivos e crentes nas suas capacidades inseridos em famílias ancoradas nestes mesmos valores. Mas, também aqui, algumas ações práticas poderão ser potenciadoras de fácil ajuste aos desafios que se avizinham. As crianças e os jovens devem ser envolvidos na organização e na preparação do seu ano escolar. Devem sentir que os adultos à sua volta estão disponíveis para o constante diálogo positivo, que servem de aliados na descoberta de soluções e que os seus medos não são nunca ridicularizados. As rotinas e os horários devem ser progressivamente adaptados, por forma a que as alterações não sejam bruscas.

O exercício, a alimentação e o repouso equilibrados são fundamentais em tarefas de aprendizagem e devem ser adotados rituais familiares mais rigorosos que os desenvolvidos ao longo das férias. Estamos, todos, em constante desenvolvimento e devemos reconhecer o prazer decorrente dos desafios que a vida nos apresenta, acreditando que teremos, sempre, capacidades para os enfrentar de forma adequada. Se para algumas barreiras não tivermos o suficiente balanço, essa é a altura de não desistir, voltando atrás e tomando ainda mais balanço para as ultrapassar.
Para todos um excelente ano letivo.

 

Rogério Henriques – Neuropsicólogo

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