Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge envia carta aberta às forças políticas

Na passada segunda-feira, dia 7 de agosto, a Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge remeteu via correio aos partidos políticos concorrentes às eleições autárquicas no Concelho de Almeirim, uma carta-aberta onde veio manifestar a sua apreensão pelo estado de degradação a que chegou o Paço Real da Ribeira de Muge, propriedade do município.

Na carta, exorta-se à inserção desta realidade nos programas eleitorais que irão ser apresentados para escrutínio da população no próximo dia 1 de outubro. Manifesta-se ainda a academia disponível para acompanhar uma visita das forças políticas aos espaços em questão, de forma a que possam melhor tomar conhecimento das fragilidades que os mesmos apresentam.

 

Leia aqui a carta aberta da associação:

“Estimados Senhores,

A Academia Itinerarium XIV da Ribeira de Muge é constituída por um grupo de cidadãos naturais da parte mais rural do Concelho de Almeirim, e que têm ao longo dos anos pautado a sua atuação pelo estudo, defesa e divulgação do património e história local.

Destacamos das iniciativas pela Academia promovidas nos últimos quatro anos, a adesão ao Dia dos Moinhos Abertos (com o Moinho do Fidalgo, propriedade do Município) assim como a promoção do Colóquio da Ribeira de Muge, em parceria com a Junta de Freguesia da Raposa, que contou no passado mês de junho, com a sua segunda edição.

O Paço Real da Ribeira de Muge, localizado em Paço dos Negros, é o último vestígio edificado que nos resta do Almeirim do séc. XVI, quando o espaço onde atualmente é o nosso concelho se assumia como um dos principais lugares onde a corte gostava de estanciar, devido ao seu clima e condições para atividades recreativas, nomeadamente a caça. Este espaço chega aos nossos dias ainda com alguns elementos originais (como o portal e a capela) e outros alterados ou adicionados pelo tempo (como o moinho de rodízio, que foi construído sobre um antigo tanque no início do séc. XX).

O lugar, que pode ser considerado o berço da aldeia de Paço dos Negros, foi sempre por nós tido como a pedra basilar da nossa atuação. Com efeito, inúmeras das nossas iniciativas pretendem divulgar o paço, que estamos constantemente a estudar. E é com bastante apreensão que vemos o estado de degradação que o mesmo está a sofrer, comprometendo a legação deste bem às próximas gerações.

Em 2015 e 2016 endereçámos uma carta aberta ao executivo municipal, onde manifestámos a nossa preocupação pelo estado em que se encontrava o espaço, mencionando as suas principais fragilidades e dando algumas linhas orientadoras para uma conservação do mesmo, evitando que este se degradasse ainda mais. Recebemos em troca o silêncio.

Tendo em conta que se aproxima o ato eleitoral em que se elegerão os novos órgãos autárquicos, vimos por este meio apelar a que os programas eleitorais que irão ser apresentados para escrutínio das populações contemplem esta questão. Não de uma forma evasiva, mas sim com medidas concretas, que conservem o espaço e permitam que no futuro, mais ou menos próximo, seja possível dignificá-lo da forma que ele merece.

E como só se deve falar do que se conhece, e admitindo que nem toda a gente tem de conhecer tudo no concelho, a Academia está totalmente disponível para agendar uma visita ao espaço com as diversas forças políticas, mostrando as fragilidades do mesmo, onde precisa de uma intervenção mais urgente, e quais os projetos culturais que, na nossa ótica, poderão melhor resultar aqui.”