Da esquerda para a direita: Abstenção

Com o aproximar das eleição autárquicas, todos os partidos têm um “inimigo” comum: a abstenção. Quando se fala em abstenção, a justificação que é logo usada é a descrença existencial com os políticos de hoje em dia. E quando nos referimos aos jovens, os números de abstenção sobem.
Os jovens de hoje em dia não se interessam pela política e veem-na com maus olhos. Nos dias de hoje, as novas gerações não se interessam pelos seus direitos e por tudo o que lhes faça ler. A maior parte prefere andar na ignorância do que conhecer, por exemplo, a Constituição da República Portuguesa ou até mesmo os seus direitos laborais.

Os “millenials”, como é conhecida esta geração, mais facilmente escreve um tweet ou um post no Facebook, do que sai de casa para ir simplesmente fazer uso do seu direito de voto. Ultimamente, e felizmente, já não acontece tanto, mas se fizéssemos a simples pergunta de quem é o Primeiro-Ministro ou o Presidente da República muitos dos jovens não sabiam responder. A luta contra a abstenção não pode ser só pensada em vésperas de eleições; já vimos que isso não resulta. Temos, isso sim, de começar a “educar os jovens” logo desde pequenos, na escola, para que quando chegar à altura de votar terem as suas ideias definidas e não ficarem em casa enquanto outros decidem por eles.
Há uns tempos atrás, a formação cívica nas escolas foi interrogada. Não seria esta a disciplina ideal para ajudar no combate à abstenção? Esta disciplina devia e podia ser usada para explicar aos jovens o que é a política, o que é o direito de voto, o que é a “direita” e a “esquerda” e as mais variadas dúvidas com as quais a maioria desta camada chega, na altura de votar.

Não é só este, porém, o problema. O sistema eleitoral também deveria ser revisto. Veja-se um caso muito simples: imaginando-se que uma pessoa tenha um acidente no dia das eleições e obrigatoriamente tenha que ir ao hospital para ser socorrido, no entanto, podendo até estar em condições para votar, como não vai de lá poder sair, já não consegue exercer o seu direito de voto.
Terminando esta reflexão, e citando uma frase de Platão para todos também refletirem, “o preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”.

 

Joaquim Gomes – Partido Socialista

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