Álvaro Ribeiro pode deixar liderança da Petanca em Almeirim

O Presidente da Secção de Petanca dos 20 kms de Almeirim pode estar de saída do clube e pode abrir-se uma vaga para a entrada de novos dirigentes. O clube almeirinense organizou com sucesso a Taça de Portugal e isso foi o motivo para a conversa com Álvaro Ribeiro.

Que balanço é que faz a Associação 20 kms?
A Associação 20 kms de Almeirim, como parceiro da federação portuguesa de Petanca na realização da Taça de Portugal, o balanço que pode fazer é apenas e só positivo. Nós tivemos este ano mais equipas que o ano passado, tivemos 109 inscritas e depois em competição tivemos apenas 107, houve a desistência de duas equipas masculinas e 12 equipas femininas, portanto o balanço só pode ser positivo devido ao facto de termos aumentado o número de equipas.

Em relação também àquilo que são os resultados desportivos das nossas equipas, como é que foram?
As nossas equipas portaram-se ao nível daquilo que é normal, portanto chegaram a pouco mais de meio da prova e competiram com atletas de alto nível. Aliás, nós tivemos uma equipa que não pôde competir, na medida em que teve que fazer parte da organização e então não foi inscrita.

Poderemos ter, a breve prazo, também equipas a lutar por lugares mais cimeiros ou há ainda uma diferença relativamente grande?
Eu continuo a dizer que em Almeirim ainda não há condições para poder competir com as grandes equipas portuguesas e não há por uma razão muito simples, nós ainda não conseguimos cativar na nossa associação atletas que… Eu digo que não conseguimos cativar atletas de bom nível porque para isso tínhamos que ir buscar atletas fora e essa não é a nossa política, a nossa política é aproveitar o que temos em casa, conseguir atrair das pessoas que fazem deste espaço, o espaço dos campos de Petanca, o seu ponto de encontro todos os dias, atrai-los para a competição. Não tem sido fácil, não foi possível até agora, não sei se algum dia será possível, porque as pessoas têm algum comodismo nessa circunstância, portanto, nós iremos ter sempre, ou pelo menos durante os próximos tempos, essa dificuldade.

Aqueles que vieram pela primeira vez, o que é que acharam dos nossos campos, que são considerados dos melhores que há no país?
Eu estou convencido que das pessoas que vieram cá, provavelmente já todas vieram a Almeirim, portanto, eles cada vez que aqui vêm sentem-se atraídos pelo espaço, é realmente um espaço fantástico para a modalidade. Está inserido num espaço que para mim é paradisíaco e depois ainda por cima está inserido numa zona onde há passagem de milhares de viaturas por dia, portanto isto tem realmente condições excecionais para a prática da modalidade, e quando se faz uma prova a este nível, provavelmente as pessoas pensarão que não haverá mais sítio nenhum em Portugal para fazer esta prova a este nível, nestas condições. Eles pensam, e eu afirmo que não há. Efetivamente não há, há realmente espaços em Portugal para fazer uma prova a esta dimensão como a Taça de Portugal, mas não são espaços, digamos, próprios para a prática da modalidade.

A organização deste ano terminou um ciclo de organizações da Taça que já estavam calendarizadas. O presidente da federação teceu rasgados elogios e deixou em aberto a possibilidade de ser renovado. Da parte da Associação 20 quilómetros há essa intenção de tentar continuar aqui a receber esta prova?
Efetivamente, houve um ciclo que terminou este ano. Houve um ciclo de quatro anos, foi pela primeira vez em Portugal que houve um clube, neste caso uma associação que se propôs fazer um ciclo de quatro anos. A federação aceitou na altura e fizemos esse ciclo, ciclo este que terminou realmente este ano. Quanto ao futuro, o futuro costuma-se dizer “ a Deus pertencerá” ou “a Deus pertence”, eu não sei o que é que vai acontecer. A federação na pessoa do seu presidente tinha todo o interesse e já manifestou esse desejo até pessoalmente comigo, que a Taça continuasse em Almeirim. Obviamente que isso não depende só dele, depende de propostas que possa haver. Em relação à Associação 20 kms de Almeirim, eu acho que esta associação teria todo o interesse em continuar a ter esta prova, o problema aqui é que os atuais dirigentes da Associação 20 kms de Almeirim e da Secção de Petanca fizeram, digamos, um barreira ou pelo menos um fim no ciclo da Taça de Portugal. Nós estamos a meditar o que é que vamos fazer no futuro, provavelmente vamos tentar ver se há alguém que queira prosseguir este trabalho, portanto, este trabalho que foi iniciado há 14 anos e que há 13 anos somos federados, no primeiro ano não fomos federados, apenas fomos um clube assistente da Federação e da Associação de Petanca da zona centro e portanto temos um trabalho atrás que eu acho que foi um trabalho meritório, um trabalho que eu penso que foi espetacular. Foi um trabalho que serviu até de piloto a muitos clubes de Petanca em Portugal. A Petanca, em Portugal, quando esta associação entrou, verificou com naturalidade, e era uma coisa que se constatava, que era uma modalidade que, digamos, estava um pouco anárquica, portanto não havia grande organização, e a associação 20 quilómetros de Almeirim teve esse condão: pôs organização das provas; para se ter uma ideia, as provas que existiam praticamente não tinham nome, portanto deram uma prova de Petanca e ponto final, a Associação 20 quilómetros de Almeirim logo no primeiro torneio que fez, em 2005, com o primeiro torneio de “Pão, vinho e companhia” foi, sem dúvida, a primeira associação a pôr nomes nos torneios, e no prosseguimento dessa política nós depois fomos tentando criar condições para a prática da modalidade. Não havia, na altura, à exceção do Estoril, campos de Petanca; no Algarve, então, nem pensar nisso. Não havia nada e agora ainda pouco há, mas a associação teve esse condão, foi uma associação piloto na realização de eventos e na tentativa de colocar condições aos atletas em espaços próprios e em condições próprias, portanto, o que eu quero dizer com isto é que acho que Almeirim tem todo o interesse e prestígio para continuar a ter a Taça de Portugal, por todas as razões e mais uma que eu acrescento, que é estar localizado no centro do país e ter as tais condições que mais nenhum clube tem para realizar esta prova no seu local de jogo.

Mas porque é que estão decididos a terminar o ciclo na associação?
Nós temos um problema aqui em Almeirim, e provavelmente a culpa será desta secção, desta direção que não tem conseguido até agora cativar pessoas para a secção. Há pessoas que dizem que esta direção não atua nas devidas condições, são as suas opiniões. Nós, quando em determinada altura e já em momentos próprios, e muitas vezes temos perguntado em locais próprios quais são as soluções para a associação e para a modalidade em Almeirim, as pessoas criticam, mas depois não dão soluções, portanto nós pensámos que o nosso ciclo tem de terminar, tem de haver nova gente, nova direção, novos elementos com outras ideias, não vou discutir se são melhores ou piores, mas têm de ter outras ideias e têm de tentar fazer aquilo que nós até agora não temos conseguido.

E quando é que termina esse mandato? Ou já terminou?
Não, o nosso mandato, o mandato por eleição na associação, que termina no ciclo chamado olímpico ainda não terminou, nós é que, provavelmente, vamos pensar, vamos rever quais são as condições que existem e no final do ano, com tempo.

Não vale com eleições antecipadas?
Não, não há eleições antecipadas, nem na secção porque é a própria direção dos 20 kms é que terá depois de solucionar o problema ou por nossa indicação de alguns elementos, ou porque a associação terá que ter essa preocupação, mas eu quando digo aqui que é esta secção, estou a falar em nome próprio, eu sei que há mais dois ou três elementos que são aqueles elementos que estão muito próximos de mim, mas nós não deixámos isto ao “Deus-dará”, vamos tentar ver se conseguimos arranjar alguém ou que apareça alguém, vamos deixar tudo em condições, numa total transparência no que a secção tem, no que a secção fez e as pessoas depois decidem da melhor maneira, porque também há que ter em atenção que as pessoas estão aqui há mais tempo, eu sou das pessoas que estou aqui há mais tempo: estou aqui desde o início, estou aqui há 14 anos, portanto acho que já fiz com as sucessivas secções o trabalho que é visível, portanto acho que é altura de haver novas pessoas, até porque eu tenho outros projetos e os outros projetos não passam pela Petanca, em Almeirim. Eu tenho um cargo como vice-presidente da Federação Portuguesa de Petanca, tive um compromisso com a tal presidente de o acompanhar até ao fim do seu mandato, é esse compromisso que eu tenho, é esse compromisso que eu vou tentar cumprir e depois a Petanca terá de ser entregue a outras pessoas.