Pampilho ao Alto XXXII

Será mesmo que estou cada vez mais lorpa? Em política, não consigo entender o que tantos entendem ou dizem que entendem; quer dizer, em simples raciocínio, um País que aliena os sectores vitais da sua economia (combustíveis, energia e comunicações) ao sector privado não é jamais um País soberano.

Contrapõem outros, certamente mais evoluídos, que não senhor, que não é fundamental o Estado deter o controlo destes sectores, e que os mercados (esses tais que ninguém sabe exatamente quem são) se encarregam de os regular de acordo com a oferta e a procura. Só falta mesmo ser alienada aos privados a captação e distribuição de água ao domicílio, ( mas as coisas estão a encaminhar-se nesse sentido) e estes iluminados dizerem que sim senhor, que assim é que está correcto. Em termos de economia doméstica, vejo tudo cada vez pior, ou seja, as pessoas cada vez têm menos dinheiro no bolso, e outros dizem que está tudo muito melhor. Contraponho eu, que sou leigo na matéria: se a Ordem está rica, os frades estão cada vez mais pobres!

Vejo tantos sem poder trabalhar, a sustentar outros que podem. Em educação, vejo alunos agredir professores e os Tribunais a condenarem estes por darem um tabefe num aluno, enquanto os Papás e Mamãs, que não lhe dão a devida educação, dizem: coitadinhos dos meninos “e das meninas”. Na noite, as discussões com tiros e facadas são quase sempre à porta das discotecas já com o sol quase nascido. Penso que esta gente não trabalha, senão iam dormir mais cedo, mas outros dizem-me que assim é que está certo, que estou é velhote.

Vejo que os jornalistas “alguns” enterram vivos e desenterram mortos em favor de quem mais lhes pagar. Outros dizem-me que não senhor, que é a liberdade de imprensa. Alguns advogados, que deviam ser um exemplo de cidadania, viraram bandidos. Os ricos são ricos, e roubam para ser ainda mais ricos. Os pobres morrem de fome, mas vão aos campos de futebol encher os bolsos dos rapazes que ganham mais a chutar uma bola que um cirurgião a salvar vidas.

Enfim, não consigo perceber; os putos vão aos concertos “tipo Rock in Rio esturrar as reformas dos avós, e no outro dia vão a uma MANIF de estudantes para não fazerem exames. Chego a pensar (como dizia um saudoso amigo ) que quem está doido sou eu, ou então, estarei lorpa.

Fiquem bem, de Pampilho ao alto.

 

Ernestino Alves – Advogado