Da esquerda para a direita: Papa Francisco

Como democrata-cristã e, principalmente, como católica, não podia deixar de fazer referência à visita do Papa Francisco a Fátima, para a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto. Sei que este é um espaço de opinião política, mas entendo que a política vai muito para além de decisões orçamentais ou de tomadas de posição ideológicas sobre os mais variados temas.

A política deve ser vista, também, como um serviço ao outro. Em 2013 o Papa Francisco disse que “devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas de caridade, visto que procura o bem-comum”. E é nesta perspectiva que peço que me interpretem. A fortíssima mensagem de Paz que o Papa nos transmitiu em Fátima não nos pode deixar indiferentes. A imagem que deixou de uma “Igreja vestida de branco” que a todos acolhe, que “a todos une numa só família humana” tem de nos fazer pensar e agir. Numa época como a que o mundo atravessa – guerras terríveis, atentados terroristas, milhões de refugiados que não têm para onde ir, cada vez menos tolerância pelo que é diferente, onde nos preocupamos demasiado com a imagem exterior, mas não somos capazes de reparar, sequer, em quem está ao nosso lado a sofrer -, o Papa faz-nos um apelo à ternura, à humildade e à Misericórdia. Pede-nos que olhemos para os excluídos, os abandonados, os injustiçados.

Relembra-nos o quão importante é “chegar às periferias, derrubar muros e fronteiras”. Pede-nos que não julguemos levianamente. “Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia.” Por vezes, as mensagens do Papa Francisco são interpretadas como demasiado avant-garde, para alguns mais conservadores. A minha interpretação é que, no mundo de hoje, é preciso superar os medos que, humanamente, todos temos do que é diferente. Para enfrentar dignamente o mundo de hoje, é preciso mudarem-se mentalidades e não é preciso ter medo de o fazer. É preciso, sim, ter respeito pelo outro. É preciso criar consciência de que, para vivermos em Paz e em Liberdade, não temos de impor aos outros as nossas ambições e interesses, pois “(…) a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes”. Este recado deixado pelo Papa é importantíssimo.

O respeito pelo outro, a preocupação pelo seu bem-estar, o sentido de serviço e a caridade têm de estar presentes em cada um de nós e, obviamente, nos políticos uma vez que têm um enorme poder de decisão. E esse poder de decisão sobre a vida dos outros só lhes aumenta a responsabilidade. O Papa pede-nos que não sejamos “uma esperança abortada”. Enquanto pessoa, enquanto católica mas, também, enquanto política, entendo que é esta a nossa missão.

Maria Pia Boneville – CDS de Almeirim