“Sede vai ser um museu”

Depois de 10 anos no União Futebol Clube de Almeirim, há 30 anos foi criado a União de Veteranos de Almeirim. Luís Cunha, o atual presidente, recebeu o Jornal O Almeirinense na sede provisória e revela alguns “segredos” e expectativas para o futuro.

Esta terça-feira assinalam-se 30 anos do grupo. Que balanço faz em relação a este seu mandato?
Luís Cunha: O balanço, quando estamos perante um grupo de amigos, é sempre positivo. Aqui não há balanço de mandatos, porque aqui não há ninguém que mande isoladamente até porque com um grupo heterogéneo como é este grupo, e quando digo heterogéneo refiro-me a um grupo que tem elementos com 35, 37 anos e tem elementos acima dos 70 anos, elementos esses que são os fundadores. Obviamente que quando se toma alguma decisão, não a podemos tomar de ânimo leve sem consultar as pessoas mais antigas que conhecem como ninguém o que é o UVA, como começou e quais os seus princípios fundamentais. Desde que haja o respeito por todos e o envolvimento – se assim o podemos dizer – de todos, numa liderança conjunta, as coisas acontecem naturalmente e penso que o grupo está muito dinâmico, aliás como sempre esteve. Eu acho que o grupo tem sido uma referência para Almeirim e para a nossa zona, precisamente pela regularidade, pelo modo como tem mantido a amizade, o espírito de camaradagem e a angariação de novos elementos, de novas dinâmicas que muitas vezes queremos, não querendo estar só ligados ao futebol, mas estar ligados a todos os tipos de instituições e ser uma referência em todas as situações.

E ao Santeirim, que análise é feita?
É óbvio que é o nosso parceiro, parceiro nosso há 22 anos, sendo que o fundador e ainda sendo presente do Santeirim durante os 26 anos, foi e é a UVA, os Tricofaites entraram aos 22 anos, mas são uns parceiros incansáveis e fundamentais nesta altura para a dinâmica do Santeirim. Uma palavra de apreço para todo o grupo dos Tricofaites, principalmente na pessoa do seu presidente, José Guerra, que há muitos anos é como uma das referências do Santeirim e sem ele, hoje em dia, era impossível o Santeirim andar para a frente. Também o Paulo Jacinto desempenha um papel importantíssimo na organização.
O balanço é um balanço este ano muito positivo, quer em termos do número de pessoas – vou dar-lhe só um exemplo: no último dia, no domingo, tivemos no salão Moinho de Vento, em Almeirim, quase 497 pessoas, sendo que 60 delas eram de Almeirim e as restantes de fora de Almeirim – portanto, veja a dinâmica que pode trazer para a cidade de Almeirim este envolvimento que foi criado há 22 anos. Em termos competitivos e desportivos, o nosso espírito esse é o que menos importa, porque acima de tudo e já o saudoso João Chaparreiro o dizia, e foi ele um dos mentores deste torneio e até um dos fundadores da Uva, que o objetivo do Santeirim não é jogar uns contra os outros, mas jogar uns com os outros, é o convívio, é a troca de experiências económicas, a troca de experiências gastronómicas e, acima de tudo, a amizade, esse é o espírito sempre do Santeirim. Obviamente que, como não podemos jogar sem balizas, se alguma vez houver um resultado tem de haver sempre um vencedor e as equipas que vêm da zona africana têm sido, nos últimos anos, as vencedoras porque realmente preparam-se provavelmente melhor e vêm para ganhar mesmo, e nós ficamos satisfeitos com o espírito competitivo que também têm. Só dizer, porque não posso esquecer esta parte, que sem eles era impossível e eu não o disse, uma palavra de apreço para os árbitros, para as equipas de arbitragem que, também na pessoa de Jorge Maia, ao longo destes anos todos nos têm ajudado a realizar este torneio. Nem sempre é fácil porque eu disse isto e agora parece um contrassenso, mas depois quando estamos lá dentro sai mais uma boca, sai mais um diálogo porque já não temos a força, se calhar, nas pernas mas continuamos até na língua, como se diz no campo futebolístico, portanto também para os árbitros, alguma coisa que menos bem tenha corrido, as nossas desculpas, e os nossos agradecimentos públicos a todos eles e depois, obviamente, não posso deixar de referir que, para as coisas correrem como têm corrido até agora, o apoio das Autarquias e das Juntas de Freguesia tem sido fundamental. Em nosso nome, o nosso muito obrigado por tudo o que nos têm ajudado, à Câmara Municipal de Almeirim e também a todas as freguesias existentes, nomeadamente Fazendas, Raposa e Benfica do Ribatejo e também por parte, garantidamente, dos Tricofaites e da zona de Santarém, o nosso agradecimento às freguesias de Santarém e à Câmara de Santarém que têm sido incansáveis quanto a isso.

Estamos hoje numa sede que é provisória, há muito espólio do UVA que será colocado na nova sede, não se sabe ainda muito bem quando, mas, se calhar, será no próximo ano?
O prazo também não é para nós uma situação pertinente, estamos em sintonia, como disse há pouco, como em tudo não nos poderemos queixar de nada com a Câmara Municipal de Almeirim que teve o cuidado de, quando nós falámos desta situação, arranjar uma solução e foi do agrado de todos que nós, desde já, mais uma vez, agradecemos também essa atenção, portanto ficará a nossa sede nas futuras instalações e nas futuras obras que estão a ser feitas no estádio municipal de Almeirim, onde iremos ter uma sede para a UVA e uma sede também para o Santeirim, tal como aqui este espaço que já puderam ver, temos uma sala do Santeirim e temos uma sala da UVA também com todo o nosso espólio. O espólio é tremendo, é muito, ao longo destes 40 anos não poderia deixar de ser uma referência; não temos tudo aqui, não quisemos também expor tudo porque até para trazer cá para cima é difícil, num grupo de amigos custa sempre um bocadinho, com certeza quando tivermos a sede pronta, e será a curto prazo, quando as obras estiveram concluídas iremos estar aí.

Será quase um museu?
Eu tirava só o quase, vai ser um museu. Vai ser o museu da UVA porque muitas vezes as pessoas que entram aqui e que vêem este nosso espólio não têm ideia das dimensões do que a UVA já fez, por onde o nome da União de Veteranos de Almeirim andou, as referências, as homenagens, todas as diferenciações da Madeira, do governo da Madeira, de outros sítios pelas referências, quer quando cá vêm, quer quando lá vão, quer quando nós lá vamos, pela forma como somos recebidos e quando gostam da nossa presença e quando cá vêm, nós temos a capacidade de receber e de as pessoas não conseguirem deixar de voltar.

Uma das atividades extradesportivas em que a UVA normalmente participa é as tasquinhas nas festas da cidade. Este ano não foge à regra?
Eu acho que jamais deverá fugir à regra. Ainda bem que pergunta isso, porque é realmente das nossas mais valias e referências, e aqui há duas vertentes quando digo mais valias, porque realmente é uma das formas com mais sustentabilidade da nossa associação, do nosso grupo, porque realmente estamos lá com o intuito de servir bem a população de Almeirim e quem nos visita encontra uma tasquinha de referência em termos alimentares para Almeirim. Obviamente que aqui o envolvimento de todos é pouco porque começamos muito cedo a preparar todas as situações das tasquinhas, e às vezes o que queremos tirar, podemos mesmo dizer de lucro, não é tanto quanto isso. No entanto, não posso deixar aqui de referir e mesmo de agradecer publicamente a todos os companheiros da UVA que se têm envolvido nesta situação, que são muitos, mas também, principalmente, eu gostaria mesmo que fosse destacada essa situação, um agradecimento especial a todas as companheiras e a todas as veteranas, ou seja, às nossas esposas, às nossas namoradas, às nossas amigas, às nossas famílias que nos têm ajudado ao longo destes anos. Não era possível fazer as tasquinhas sem as nossas mulheres.