Três jovens que voltaram de Lisboa e concretizaram o seu sonho em Almeirim

João Apolinário, Isabel Fidalgo e João Florêncio são três almeirinenses que montaram o seu próprio negócio na cidade de Almeirim. Estudaram e trabalharam em Lisboa mas decidiram voltar à terra para concretizar os seus sonhos, o seu negócio e os seus clientes em todo o mundo.

Que tipos de trabalhos realizam na Ivory Black?
João Florêncio (F): No estúdio realizamos trabalhos de design, webdesign, fotografia e vídeo, ilustração e arte de conceito, sendo estes dois últimos mais direcionados para a área de entretenimento como videojogos e jogos de tabuleiro. Nos E.U.A. é uma área que tem crescido bastante e que conta com muitos eventos relacionados como a ComicCon, a WonderCon, entre outros. Em Portugal, eventos destes, temos uma vez por ano, enquanto nos E.U.A. há sempre pelo menos um todos os fins de semana. Quando recebemos um projeto de ilustração tentamos sempre para além da ilustração fazer o design gráfico de todo o projeto. Sendo umas vezes possível e outras não. A nível de design e webdesign criamos marcas e identidades, estratégias de comunicação, websites e webapp’s. E finalmente temos a fotografia e vídeo.
Isabel Fidalgo (I): Sim, o campo da fotografia é desenvolvido por mim sendo que, neste momento, os vinhos ganham cada vez mais destaque no nosso portfólio fotográfico. Paralelamente, toda a gestão de clientes, aproximação e contacto também fica a meu cargo, uma vez que além do meu curso de Fotografia Profissional na ETIC em Lisboa, sou licenciada em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).
João Apolinário (A): A parte do design e webdesign é da minha responsabilidade, uma vez que sou formado em Multimédia pela Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém (ESGTS) e em design gráfico pela LISBON SCHOOL OF DESIGN. Quando finalizei as minhas formações estagiei numa agência chamada HAPPEN durante um ano e daí saí para a MASSIVE, uma empresa especializada em digital, que se poderia considerar uma das melhores empresas na minha área. Para termos uma ideia, trabalhávamos clientes como BANIF, EDP e Licor Beirão. Após dois anos saí e como já conheço o João e a Isabel há muito tempo e sei que temos funções que se complementam muito, falámos e decidimos organizar e criar um estúdio criativo em Almeirim, tentando assim potenciar a região e oferecer um serviço diferente.
Isabel Fidalgo (I): O meu último emprego foi na CVRTejo no Departamento de Comunicação, onde também tive alguns trabalhos fotográficos. Quando terminei pensei em começar um projeto meu e como a experiência lá foi tão boa, ajudando-me a perceber o mercado dos vinhos, a sua comunicação e ambiente, deu-me aquele “bichinho” para pensar em algo direcionado aos produtos regionais. A questão instalou-se “porque não criar um estúdio criativo vocacionado para esse mercado?”.

Quando é que o estúdio foi criado?
(I): Abrimos portas em novembro de 2016, numa altura com pouco movimento a nível de projetos na nossa área. Aproveitamos esse tempo para organizarmo-nos e assim que começasse o ano pudéssemos arrancar!

Qual é o vosso principal objetivo?
(A): Passa um pouco por descentralizar este tipo de serviços que se apresentam condensados em Lisboa, Porto, ou grandes cidades, e trazer para outras zonas como o Ribatejo um serviço de qualidade a clientes ou empresas com visão mas que não sabem como conseguir esse tipo de serviço, esse tipo de qualidade. Interessa-nos assim ser uma empresa pioneira nesse aspeto na nossa região.
(I): Sim, desformatar ideias. Muitas empresas não possuem conhecimento sobre como hão-de comunicar, pensam que estão a proceder bem e poem de lado outras soluções.
(F): Com isso acabam por perder dinheiro em publicidade. Por exemplo, há casos em que optar-se pela publicidade online em vez da offline é muito mais rentável. Há empresas que continuam a comunicar da mesma forma só porque sim, porque sempre foi assim.

Porque é que decidiram sair de Lisboa e focar-se no Ribatejo?
(I): Depois da minha experiência em Praga na República Checa e em Lisboa a estudar e a trabalhar Fotografia, e de sentir que o Ribatejo tem tanto potencial para fazer projetos interessantes e, ao mesmo tempo, dar oportunidade a quem não tem possibilidade de contratar serviços a empresas das grandes cidades, fez bastante sentido começar aqui.
(F): Nós aqui conseguimos ser muito mais competitivos do que uma empresa em Lisboa a nível de preços. A renda é acessível, não temos grandes gastos e conseguimos trabalhar à mesma com pessoas fora da região.
(A): Uma coisa muito importante para mim é que sempre gostei mais de viver no campo do que na cidade, e isso incentivou-me a apostar neste projeto.

Quanto ao regresso a Almeirim por parte de quem trabalha em Lisboa, acham que é uma boa aposta?
(I): Depende, porque quando eu trabalhava e estudava em Lisboa perdia muito tempo a andar de um lado para um outro. Perdia muito tempo nas deslocações e se tivesse alguma reunião nesse dia era bastante complicado a gestão do tempo. No fundo, chegava a casa e não tinha tempo para mim, para as minhas coisas, nem para evoluir criativamente que é algo extremamente necessário.
(F): É preciso acompanhar novos processos e novas tecnologias.
(I): Exatamente. É preciso tempo para tirares formações extra e acompanhares o que está acontecer na indústria e com esse conhecimento poderes evoluir e crescer. Isso requer uma grande entrega e precisas de tempo. Aqui conseguimos esse tempo, porque se for necessário trabalhar até mais tarde não nos vai fazer tanta diferença, uma vez que somos nós quem gerimos. Como bónus, o ambiente é calmo e mais tranquilo, ajudando-nos também a ter tempo para desenvolver as propostas para os nossos clientes.