Notas sobre a heráldica de Almeirim

Desde 2012, mas sobretudo ao longo de 2016, debati-me para terminar a minha dissertação de mestrado. O seu título é um pouco comprido mas resume bem o que trata: “A evolução da identidade visual autárquica: da heráldica do século XIII às marcas municipais do século XXI”. Poderia dizer muito sobre este assunto e sobre a estrutura do meu trabalho, mas as letras na página não me vão deixar desenvolver uma peça assim tão maçadora!

Uma das conclusões da minha pesquisa foi que 79% dos municípios portugueses (incluindo os territórios insulares) utiliza preferencialmente um logótipo em vez do seu brasão de armas. Nas últimas 3 décadas têm proliferado as marcas municipais, que se constituem com novos símbolos e logótipos sofisticados. Esta é uma conclusão objetiva, não precisamos interpretar esta alteração como positiva ou negativa, é um claro sinal dos tempos, e uma opção generalizada.
Em Almeirim, utilizam-se desde a década de 90 (pelo menos) alternativas ao brasão de armas.
Em 16% dos municípios utilizam-se símbolos que remetem ou derivam do brasão de armas, como acontece em Almeirim. No nosso caso, utiliza-se um cacho de uvas estilizado. Este elemento figurativo aparece quatro vezes no brasão da cidade de Almeirim e, já que falamos no assunto, aparece duas vezes no brasão da vila de Fazendas de Almeirim.

O atual brasão de armas de Almeirim existe desde 1936, e foi revisto na sequência da legislação que teria entrado em vigor seis anos antes, e que viria a alterar por completo a paisagem da heráldica autárquica em todo o país.
Antes deste brasão, existia o antigo brasão de Almeirim, que assumia as armas reais, o escudo das quinas com a bordadura dos castelos. Tinha, contudo, uma seta de ouro que atravessa o escudete central, símbolo do mártir S. Sebastião.

Curiosamente, esta apropriação das armas reais foi bastante comum e no século XIX cerca de um terço dos municípios usava as armas reais sob diversas formas.
Mas a heráldica continua viva, presente nos selos e nas bandeiras, em situações protocolares e oficiais, a espreitar desde os confins da história.