Da esquerda para a direita: 1º de Maio

Foi em 1890 que se comemorou, em todo o mundo, o primeiro 1º de Maio, como resposta internaci-onal à impiedosa repressão ocorrida em Chicago, pelas entidades patronais e policiais, no dia 1 de Maio de 1886, contra trabalhadores que se manifestavam pela redução do horário de trabalho, visto que na maioria trabalhavam 12, 14 e mais horas por dia. Também os trabalhadores portugueses aderiram a esta jornada de protesto, resistência e luta e desde então, o movimento operário e sindical e a luta dos trabalhadores têm assumido um papel determi-nante nas conquistas laborais.

Na ditadura fascista em Portugal, muitas foram as tentativas de impedir a realização de iniciativas no 1º de Maio. Muitos foram os confrontos com a polícia, mas nunca os trabalhadores deixaram de comemorar esta data emblemática, como são exemplo as lutas do 1º de Maio de 1962, nas quais se empenharam mais de 150 mil trabalhadores agrícolas do Sul, do Ribatejo e do Alentejo, surgindo a jornada de 8 horas de trabalho diário, pondo fim ao feudal sol a sol. O 1º de Maio só voltou a ser comemorado livremente a partir de 1974, apenas 6 dias após o 25 de abril, naquele que foi o mais espantoso 1º de Maio organizado pela Intersindical. Era a alegria incon-tida de um povo que enterrava 48 anos de terror, de miséria, de obscurantismo. O movimento operário e sindical, através da luta, dura, difícil e perseverante, alcançou conquistas e avanços civilizacionais que muito contribuíram para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e das suas famílias. Há quem queira passar a ideia que o 1º de Maio é o “dia do trabalho”, desvalorizando a intervenção e luta dos trabalhadores que, com coragem e determinação, e alguns com a sua própria vida, exigiram melhores condições de trabalho para todos os que têm os rendimentos do seu trabalho como único meio de subsistência.

Se é verdade que hoje a situação política é menos hostil para os trabalhadores também é verdade que ainda muito está por fazer no sentido de melhorar as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores portugueses. Lutar por melhores salários, pelo fim da precariedade, pela redução dos horários de trabalho e por mais e melhor contratação coletiva é essencial. As comemorações do 1º de Maio são uma grandiosa ação internacionalista de unidade e luta por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sem exploradores nem explorados. Todos os trabalhadores têm o dever e a obrigação de nunca esquecer o significado do 1º de Maio, e como diz o poema “o Futuro” de Ary dos Santos: “se fizermos de Maio a nossa lança, isto vai, ami-gos, isto vai!”

Paulo Colaço, CDU Almeirim, Sindicalista