As memórias do “Santeirim”

O Jornal O Almeirinense convidou Francisco Freilão e Amadeu Bernardes a falar dos melhores momentos de um torneio que nasceu há 26 anos. “Nos idos anos de 1991, o longevo e representativo UVA, aliado ao seu neófito afilhado SCALABIS – União Veteranos de Santarém, propôs um Torneio de Futebol Veterano, a realizar alternadamente nas duas cidades, mas que inserisse equipas nacionais doutras latitudes.

Sendo metade SANTARÉM e a outra metade ALMEIRIM, rápido e desembaraçado pensador, (voz anónima perdida no preâmbulo da falaça), aventou que o nome que vinha mesmo a matar, para denominar o acontecimento, seria “SANTEIRIM”… e lá ficou registada a crisma, como se tomada com força de Lei! Mas também os aliados se desavindam.

Assim, partiu-se à busca de um parceiro e em boa hora os Homens grandes do UVA se atreveram por arrepiados caminhos que levam às CANEIRAS. Ali mesmo, onde as águas do TEJO enchem as terras de Santarém e de Almeirim em tempos de cheias.  E foi ali…, com a bênção do estouvado TEJO, e aspergido o fígado com dois gargarejos dum desopilante carrascão, tão grosso que arranhava a goela, que se produziu o acordo de cavalheiros que, pese embora a confessada inexperiência dos convidados, tem florido, ano após ano, em canteiro cada vez mais alinhado fonsirisados do sucesso, até à presente data.

O Torneio de Veteranos “ SANTEIRIM” não sendo nem melhor nem pior do que qualquer outro – é apenas radicalmente diferente! – Pretende desenvolver o relacionamento e convívio; Estreitar relações humanas; abjurar o racismo e a diferença de classes e transformar a efeméride num HINO À AMIZADE!
Fim de transcrição.

Deixou como lema João Duarte Chaparreiro o seguinte:
“AQUI, A GRANDE AMBIÇÃO DOS ORGANIZADORES, É QUE NINGUÉM JOGUE CONTRA NINGUÉM! Mas sim… AQUI, ALGUÉM JOGA COM ALGUÉM.”

Em 1994 sai SCALABIS e entra os “TRICOFAITES” Associação C. D. e Recreativa homens inicialmente feitos para a brincadeira mas que, rapidamente, levam a sério este famoso Torneio.

Degrau a degrau, mas depois num balanço que espantou toda a gente, o “SANTEIRIM” ergue-se fugaz, cheio de força e vitalidade e começa a internacionalizar-se.
Organiza-se as Equipas convidadas. Monta-se a Logística. Ocupa-se os Hotéis, as grandes Salas de Eventos gastronómicos, organiza-se visitas, os calendários dos jogos, a cultura e o entretenimento, as receções pelas diversas Câmaras, as homenagens às grandes figuras do Desporto e da Cultura, mobilizam-se as Associações Desportivas locais, os Transportes a captação de Empresas que patrocinem o Torneio e as equipas de arbitragem, tão necessárias para que tudo pudesse funcionar. E funcionou.

Começamos pelos Países dos diversos Continentes: Canadá, Angola, Inglaterra, Cabo Verde, França, Macau, Suécia, Suiça e África do Sul. As equipas Portuguesas vieram do Norte ao Sul, do Continente e Ilhas.

As Homenagens: Foram distinguidos muitos atletas Regionais e Internacionais, assim como gente da Cultura, da Ciência, da vida Empresarial e das Instituições Políticas.

Foi criado o famoso Troféu “Alma Veterana” a par da Taça de Disciplina e do Troféu J.D. Chaparreiro, mentor do Torneio, para distinguir não só o primeiro lugar no Torneio, mas sim todos aqueles que muito deram para que o “SANTEIRIM” não ficasse por ser um sonho de apenas alguns Homens.
Ministros, Secretários de Estado, Generais, Embaixadores, Procuradores, Governadores Civis, Presidentes de Câmara, Vereadores, (Tanto do País como do Estrangeiro) Juntas de Freguesia, Associações Desportivas do dois Concelhos, Jornalistas, Rádios, Televisão Nacional e Internacional (Saúda-se a TPA), todos ajudaram a tornar o “SANTEIRIM” mais emotivo e mais belo, até aos dias de hoje.

Danças de Salão, Jazz ligeiro, Fado, Musicais, Bandas, Sevilhanas e/ou Flamenco, Ginástica, Grandes Músicos de Angola, Mornas de Cabo Verde, Danças do Ventre, Passagem de trajes Típicos de Angola, e no 20º Torneio em Santarém realizou-se a maior noite de fados alguma vez vista neste Distrito. A Organização manteve sempre um músico durante o período do Evento.

Para memória futura, profissionais de vídeo, fotografia, Imprensa Escrita, Regional e Nacional, trabalhavam junto de nós em todo o período do Torneio. Não vai o narrador do texto relevar aqui nomes que deram tanta energia e alegria a este Torneio vindos de toda a parte do País e do Mundo, correndo o risco, por falha de memória, de se esquecer de alguém, recorda-se apenas que o “SANTEIRIM” se tornou, definitivamente, Associação do Desporto Veterano em 14/4/2005, com representantes das Associações que tornaram tudo isto possível: A UNIÃO VETERANOS DE ALMEIRIM E A ASSOCIAÇÃO CULTURAL, DESPORTIVA E RECREATIVA “OS TRICOFAITES” de SANTARÉM.

A bem da nossa memória, bem-hajam a todos que tornaram este sonho possível.

Autor do texto: Francisco Freilão com Amadeu Bernardes.