Pampilho ao Alto XXIX

No momento em que escrevo (25 de Abril de 2017) vêm-me à memória momentos da Revolução de Abril de 1974 que nos devolveu a liberdade de expressão. Como tantos outros, naquela manhã emocionei-me até às lágrimas. Acreditei nos ideais da revolução dos cravos, nas mensagens deixadas pelas cantigas de Abril, mas, sobretudo, na Democracia que nos prometiam. Que os governantes iriam governar do, e para o Povo. Acreditei nas intenções do Movimento das Forças Armadas, em devolver ao Povo a soberania. Hoje, apesar do desencanto, concluo que a Democracia, apesar de prenhe de defeitos, é, ainda assim, a melhor forma de Governo, ou se preferirem, a menos má. Mas, a Democracia tem a mão do homem, e logo aí, a coisa começa a dar para o torto. A partidarite contaminou a Democracia. Fez dela uma pura ilusão! Governantes incompetentes e políticos aldrabões, pensando neles apenas e na forma de se perpetuarem no poder, têm subvertido os princípios da Democracia. Tantos têm sido os atropelos à Democracia, que, mesmo no respeito por todos, aqueles políticos que são a exceção, concluiremos que, por culpa deles, em Portugal não há Democracia; existe sim uma Ditadura de Partidos, dando-nos apenas a possibilidade de, livremente, podermos votar e expor os nossos pontos de vista, mas a um preço muito elevado. Existe uma Ditadura da Autoridade Tributária, que inferniza a vida dos cidadãos . O regime político que pós 25 de Abril de 1974 nos governou, e governa, nada tem de Democrático. É um regime cínico e mentiroso, travestido de social democrata umas vezes, e socialista outras, ou seja, é-nos dada a ilusão de que existe a propriedade privada, mas na realidade tudo pertence ao Estado e aos Municípios. Veja-se como exemplo, como pelos altos valores das taxas do IMI nos tornamos inquilinos das Autarquias. Por isto, e por muito mais que não cabe neste modesto escrito, a Democracia prometida em 25 de Abril de 1974 não beneficiou o Povo, mas sim quem dela despudoradamente se aproveitou e aproveita. Para o Povo ficou apenas a liberdade de expressão, paga com o sacrifício dos impostos sobre tudo e mais alguma coisa. É uma Democracia cínica que castiga os que, pelo sacrifício de uma vida, conseguiram algum património, ao qual não escapa a casa de morada de família. Enfim, é necessário pagar impostos exagerados para manter uma alcateia que vive eternamente colada à Democracia. Não foi para isto que o esquecido Salgueiro Maia arriscou a vida.
Para tantos, o 25 de Abril de 1974 foi uma desilusão, mas, ainda assim, a Democracia é a mais perfeita forma de exercer o poder. Assim os homens queiram.

Tenham um bom 1º de Maio, de Pampilho ao Alto.

 

Ernestino Alves – Advogado