Associativismo também é Comunidade

Mais uma vez utilizo este espaço para inculcar a ideia de ser comunitário, sempre em ordem a uma sociedade mais justa e humana. Perdoe-me o caríssimo leitor se estou a ser demasiado utópico, mas o já extenso período em que partilho do movimento associativo, induz-me à crença de que é possível. As coletividades desde muito cedo assumiram um papel preponderante no quotidiano: refira-se, por exemplo, as Casas do Povo, que antes de existir um plano de assistência social, eram o instrumento de recurso para cuidados de saúde, pensões de sobrevivência, etc. Na ausência de um Estado Providência eficaz na defesa ou promoção do bem estar social, o cidadão era chamado, através de prestações pecuniárias, a assegurar a sua própria subsistência. Por outro lado, em paralelo a este movimento, surgiram também as coletividades de desporto, cultura e recreio, onde as mais-valias eram, substancialmente, a prática de atividades para ocupação de tempos livres e, acima de tudo, a instrução de artes reservadas às classes mais favorecidas de então, como era o caso da música, danças e desportos artísticos, entre outros. Pois bem, ainda hoje essas mesmas coletividades cumprem o objetivo de proporcionar momentos de hedonismo a quem nelas participa de forma ativa. Contudo, um outro desafio se coloca: uma participação maximizada pelo empenhamento dos indivíduos, enquanto sócios, nas suas estruturas organizacionais. Ter um familiar, quer seja descendente ou outra afinidade, a usufruir dos benefícios que lhes são inerentes, não pode constituir a cota parte única no movimento associativo; vai muito para além disso. Implica sobretudo, não ter aquela atitude de “braços cruzados”, onde os dirigentes são os únicos a quem competem todo o imenso trabalho para a continuidade da associação, do clube ou rancho folclórico. Todos nós somos chamados, portanto, a um maior empenho. Colaborar com as direções, auxiliar nas diversas atividades, incentivar na participação de novos praticantes e a sua divulgação na comunidade e periferia, são responsabilidades que está ao alcance de qualquer um de nós. Sejamos pois, mais intervenientes e não tenhamos a expectativa de serem os outros a fazerem todo o trabalho. A comunidade agradece.

João Isabelinha, Licenciado