A dicotomia das viagens de finalistas…

A DICOTOMIA (a palavra “dicotomia” tem como significado mais comum a ideia de divisão em dois ou oposição entre duas coisas) das viagens de finalistas. Nos últimos dias, a comunicação social deu a conhecer uma situação difícil de compreender e de aceitar, que se passou com um número muito grande de finalistas portugueses, numa viagem de finalistas, que foi expulso de um hotel por comportamento incorreto. Serve esta crónica para expor a minha opinião relativamente a esta situação. Nas duas últimas décadas, as viagens de finalistas tornaram-se uma prática comum sempre que um estudante termina um ciclo de ensino. Existem viagens de finalistas de todos os ciclos em Portugal. Alunos que terminam o primeiro, segundo e terceiro ciclo e juntamente com os seus professores, em parceria com as escolas, realizam viagens de finalistas de um, dois ou mais dias a um local que consideram de especial relevância para aquisição de conhecimentos culturais. São momentos que ficam na memória dos seus participantes e que, na globalidade das situações, cultivam a sabedoria e o convívio dos alunos. Depois existem as viagens de finalistas dos alunos que terminam o secundário e os cursos superiores e que, na sua globalidade, nada têm a ver com momentos culturais. Estas viagens são, na sua quase totalidade, dinamizadas e concretizadas pelos alunos, juntamente com empresas que foram criadas para concretizarem as mesmas. Que oferecem regalias aos alunos que as promovem nas escolas espalhas por todo o País. E que quase sempre “passam” ao lado dos diretores das escolas. São viagens planeadas pelas empresas ao pormenor e com um único objetivo – financeiro. As empresas promotoras passam meses a escolher o local perfeito, alugam unidades hoteleiras na sua totalidade, promovem festas fantásticas e loucas (que dificilmente os nossos finalistas teriam possibilidade de as frequentar nos locais onde residem habitualmente) e possuem um marketing de promoção de eventos que cativa e ofusca todas as restantes propostas de viagens que surjam. Vendem “pacotes” de viagens que englobam várias opções e de diferenciados preços. Onde, consoante o valor pago, os finalistas têm direito a diferentes tipos de dormida, de refeições e de bebida limitada ou ilimitada. Tudo consoante a cor da pulseira que cada um irá possuir durante a duração da viagem de finalistas e a idade que possuem no momento da realização da viagem (sendo que esta situação é facilmente ultrapassável com um amigo já com 18 anos).Sendo certo que todos os comportamentos e atitudes incorretas e perturbadoras de outras pessoas que não as próprias que as praticam são e serão sempre reprováveis. Convém não esquecer que estamos a falar de adolescentes que foram colocados num autocarro, perto da sua escola, levados para um local paradisíaco onde estão milhares de adolescentes com um objetivo único – diversão. Importa refletir e meditar sobre quem realmente quer participar na viagem. As empresas com lucros difíceis de imaginar e de compreender mas com responsabilidades acrescidas durante a durabilidade das viagens. Os finalistas com o sentido único de se divertirem mas com a responsabilidade de respeitarem quem os rodeia. Estamos perante uma DICOTOMIA difícil de equilibrar mas onde todos têm culpa quando algo não corre bem … Não vamos, por isso, CULPABILIZAR somente os finalistas porque eles são e serão sempre o elo mais fraco… Não menos importante, duas situações, existem adolescentes que vão nas viagens de finalistas que não são finalistas (em algumas situações nem a escola frequentam) e não podemos nem devemos generalizar o comportamento de individualidades para concluir que os finalistas portugueses não se sabem comportar.

Vasco Carvalho, professor