Uma voz e um piano de Patrícia Cruz e Filipe Costa

Filipe Costa é pianista e maestro. Patrícia Cruz é professora de técnica vocal com dois álbuns editados. O projeto foi idealizado para dar uma nova roupagem a temas de autores portugueses, como Pedro Abrunhosa, João Pedro Pais, Madredeus, entre outros. Cada concerto dura cerca de 90 minutos onde, apenas, o piano e a voz se encontram.

Como é que surgiu esta parceria?
(PATRÍCIA) É simples: Eu queria fazer uma viragem nos meus projetos, queria fazer algo diferente do que já tinha feito e contactei o Filipe. Falei com ele e disse que estava à procura de músicos para um projeto mais intimista. Ele respondeu-me que também estava à procura de uma voz para um projeto assim.
(FILIPE) Eu até estive mesmo naquela: vou pôr um anúncio no jornal a dizer que preciso de uma voz. Não foi preciso, porque ela ligou. Eu também tinha essa ideia e juntou-se o útil ao agradável.

Que projetos musicais é que a Patrícia tinha antes?
(PATRÍCIA) Há 18 anos que canto profissionalmente, iniciei a minha carreira numa girls band. Depois, tive o meu projeto a solo durante vários anos, no qual o Filipe era um dos músicos que me acompanhava nos espetáculos, era um dos três músicos que me acompanhava. Achei que estava na altura de mudar. Estava farta de cantar aquilo que queriam que eu cantasse, de representar aquilo que queriam que eu fosse. Queria uma coisa mais minha, mais pessoal e que demonstrasse mais aquilo que eu sou, e não tanto aquilo que me impõem.

E o Filipe, o que fazia?
(FILIPE) O Filipe fazia muita coisa. Dou aulas, componho, estou ligado ao coro juvenil das Fazendas. Sou produtor musical, também. Tudo o que faço na vida está ligado à música, desde que me levanto até que me deito, é música à minha volta.

Que tipo de espetáculos é que podem proporcionar ao público?
(FILIPE) É uma coisa simples. Um piano, uma voz. Tem alguns ambientes de iluminação, mas o que nós combinámos é que é uma coisa intimista, um piano e um voz.
(PATRÍCIA) Aquilo que nós estudámos foi que cada concerto será um concerto. As pessoas estão habituadas a chegar e a ter uma grande banda. O que queremos é pegar em músicas em que os poemas estão escondidos atrás de tantos instrumentos, outras vezes é a melodia que fica perdida no meio de todos os instrumentos. Queremos mostrar o “sumo” do poema, o “sumo” da melodia. Ao ser só uma voz e um piano conseguimos simplificar. O que vai tornar os concertos especiais é o público e a maneira como sentem os poemas. Damos uma nova “roupagem” às músicas que todos conhecemos, simplificando-as.

Qual é o vosso público-alvo?
(FILIPE) Toda a gente.
(PATRÍCIA) Os temas que nós escolhemos não abrangem uma determinada faixa etária. As músicas que vamos tocar, qualquer pessoa gosta delas. São músicas que as pessoas conhecem, mas que talvez não tenham dado tanta atenção aos poemas. Vamos pegar em músicas de Pedro Abrunhosa, João Pedro Pais, Madredeus. Vamos jogar com os sentimentos que as músicas transmitem.

Que futuro pretendem para o vosso grupo?
(PATRÍCIA) Nós não somos um grupo, nem um duo. Somos uma parceria, um projeto. E fazemos questão de marcar bem essa diferença para as pessoas. Não fazemos bailes, nem espetáculos de rua. O nosso concerto não está preparado para isso. Está preparado para salas de espetáculo, cineteatros.

Querem ser uma nova imagem no mundo da música?
(PATRÍCIA) Sim. Uma imagem bem simples. Tão simples, que o que nós esperamos é que essa simplicidade valorize mais… que valorize mais a voz, que valorize mais o piano. Por ser tão simples, as pessoas não têm mais nada com que se distrair em palco. Vão estar concentradas, apenas, nestes dois elementos: voz e piano.
(FILIPE) Sabemos que quando apontamos que os nossos concertos são feitos nestes tipos de salas, nem todas têm piano. As pessoas colocam a questão “Como é que vão fazer, se não temos piano?”. Não há problema, porque nós levamos o piano e o espetáculo faz-se na mesma.

 

 

André Azevedo