Desporto Sénior com cada vez mais atletas no concelho de Almeirim

Numa terra de muitos desportistas e muitas instalações desportivas não são só os jovens a praticar desporto. Há uma única condição para fazer parte desta “equipa”: ter mais de 55 anos. A oferta é alargada a todo o concelho, e cada vez com mais atletas que dizem estar muito satisfeitos com o rendimento.

 

Pedro Ribeiro

Tem valido a aposta no desporto sénior?
Tem valido bastante. Este é um projeto pelo qual eu tenho um carinho especial. Começou quando ainda tinha funções de Vereador do Desporto, em 2003 ou 2004. Nessa altura não era muito comum haver este tipo de atividade, havia quem dissesse que as pessoas não iam aderir. A verdade é que, passados mais de uma dúzia de anos, a aposta está claramente ganha, temos muitas centenas de pessoas nesta atividade. Sempre foi uma preocupação nossa ter esta atividade distribuída por todos os espaços onde há possibilidade e gente que queira. Portanto, nós incentivamos essa procura e depois adaptamo-nos a ela, no sentido de garantir que, onde houver um núcleo mínimo de pessoas que querem participar, nós tenhamos a atividade, com técnicos credenciados para este escalão etário.

Há cada vez mais pessoas a aderirem?
Há cada vez mais pessoas a aderirem e há, sobretudo, muitas destas pessoas que, apesar de ser a partir dos 55 anos, já se encontram aposentadas e tinham muito tempo livre; isto acabou por ser uma forma de voltarem a ter agenda, uma forma de se encontrarem, de conviverem e encontrarem pessoas que, se calhar, só encontraram na escola primária e isso tem feito um bem imenso às pessoas que aqui estão.
Paulo Caetano

A fasquia dos 65 anos está relacionada com o facto de, hoje em dia, existir muita gente que se reforma mais cedo?
Também. Eventualmente, pode haver pessoas que têm idades inferiores mas a fasquia dos 65 anos tem a ver com isso e tem a ver com o ser comum dizer-se que as pessoas nessa idade estão reformadas e, portanto, deixam de fazer parte da população ativa. Há aqui muitas pessoas que, como já anteriormente foi dito, se não fossem estas atividades, se calhar estariam o dia todo em casa a ver televisão ou completamente inativas. Nesta turma temos pessoas que têm problemas de saúde e que, fruto das atividades que fazem, tanto nas aulas de hidroginástica como nestas aulas aqui, têm vindo a melhorar os seus índices de saúde.

Há mais participantes em Almeirim do que no resto das freguesias?
Neste momento, temos à volta de 400 participantes. Efetivamente, na sede do concelho tem havido mais adesão. Parece-nos a nós que o arranque deste ano também está relacionado com o facto de nas freguesias mais agrícolas, nomeadamente em Paço dos Negros, Marianos e Raposa, a fase agrícola ter acabado um pouco mais tarde e, portanto, é normal, e agora vão começar a aparecer mais pessoas, nomeadamente as senhoras vão aparecer com mais regularidade, e estamos certos de que o número nesses lugares vai aumentar.

Estão dispostos a abrir mais horários e mais espaços?
Estamos, assim haja alunos. Já aconteceu. Esta turma, no início, era só uma e agora foi dividida em duas. Estas duas turmas devem corresponder a cerca de 100 alunos, portanto é importante. Estamos completamente disponíveis para abrir mais horários e mais espaços para estas turmas.

 

Gonçalo Martins – Professor de Educação Física

Quais são os benefícios que nota nas pessoas que vêm fazer exercício?
Além da parte física, que é o que aqui se trabalha, a parte da socialização e todo o envolvimento que têm entre colegas é parte fundamental nos objetivos que pretendemos aqui. Partindo sempre da base da atividade física e do desporto, mas a socialização e a convivência é muito importante. Há pessoas que acabam por vir aqui para as aulas um pouco influenciados pelos que já aqui andam há mais anos, que acabam quase por ir buscá-los a casa para virem experimentar. Para mim, o que é gratificante é que há alguns que experimentam e ficam. A vitória principal é vê-los regressar, ano após ano. A parte física melhora bastante a sua qualidade de vida. Têm uma vida mais ativa, muitos deles referem que conseguem brincar mais ativamente com os próprios netos. O que é parte fundamental, é terem uma vida mais ativa no seu meio familiar e na sociedade, a redução de alguma medicação que acaba por ser influenciada com o trabalho que nós fazemos. Por exemplo, um dos problemas que melhora substancialmente com a atividade física é a hipertensão: temos aqui muitas pessoas que conseguem reduzir os valores. Verificamos isto porque temos vários rastreios ao longo do ano em que participamos, assim como a diabetes. Além dos benefícios para a saúde física, quando estão aqui não pensam em mais nada, estão a divertir-se, a dar umas piadas uns aos outros ou ao professor, que é sempre o alvo mais fácil (risos). Acima de tudo, é bom ver que tenho aqui alunos que já cá estão há mais de dez anos. Tenho aqui alunos que já pararam por terem de ser operados, mas que no fim da recuperação voltaram; também tive alunos que tiveram tratamentos mais agressivos, como quimioterapias, mas que ultrapassaram os seus problemas.

Que tipo de exercícios se pode fazer com esta faixa etária?
Basicamente fazemos tudo o que nós pudermos, adaptado à idade. Jogam basquete, fazem exercícios com a bola, driblam a bola. Faz-se todo o tipo de exercícios adaptados à sua condição física, com um grau de dificuldade muito menor, que os faz sentir mais juvenis, mais próximos daquela idade. É mais apelativo do que estar a fazer aqueles ditos exercícios para a terceira idade. Fazemos também alguns exercícios de reforço muscular, que é absolutamente necessário para a idade deles, mas muitas vezes acabo por lhes dar uma raquete de badminton e eles jogam, acertam poucas vezes, mas não interessa, tentam e divertem-se uns com os outros. Chegam ao fim das aulas a dizer que estão cansados e que suaram, e isso é muito importante.

 

“Desde que comecei a fazer ginástica, renasci.” – Guilhermina Lucas (72 anos)

“Enquanto eu puder vir, venho. Gosto de vir.” – Jesuína Vinagre (88 anos)

Daniel Cepa e André Azevedo