Da esquerda para a direita: O caminho

Muitas vezes, as eleições, quaisquer que sejam, são usadas como uma montra para aqueles que querem estar constantemente a serem vistos pela sociedade em geral, que têm necessidade de cultivar a imagem. Estes, muitas vezes, para não dizer sempre, caem no ridículo de abusarem de forma irracional a própria imagem, fazendo com que a Política seja uma autêntica passerelle. Ora, é precisamente este tipo de uso e abuso da Política, que faz com que bons quadros se afastem, se recusem sequer a colaborar, pois não estão para serem maltratos pela sociedade em geral. Sociedade essa, que sempre que vêem qualquer pessoa, isto é, independentes, a aproximarem-se de um Partido Político, ou só que seja, identificar-se com ideias, projectos ou mesmo com pessoas, são logo rotulados como estando à procura de “tacho”. É essa mesma sociedade, em alguns casos, ou só quando algo corre para o lado da justiça, que não critica aqueles que passaram, passam e passarão anos só na Política. A sociedade tem de entender que a Política é feita de pessoas, ideias, objetivos, linhas ideológicas e dela mesma, pois é de lá que sai qualquer um. A Política acaba por ser um espelho da Sociedade no seu conjunto, e nas particularidades, as ideologias. A Sociedade não deve criticar, excluir, renegar, insultar, etc., aqueles que dela saiam para dar na Política o seu contributo, a sua opinião, a sua experiência e/ou as suas ideologias. Porém, os políticos profissionais devem saber respeitar as opiniões de todos, sem promover, directa ou indiretamente, as represálias a quem emite opiniões, ideias ou ideologias diferentes. Pois é na diversidade que se pode e deve retirar, usar o melhor, para que a Sociedade possa evoluir para um equilíbrio. Tal como o poeta castelhano, António Machado, “o caminho faz- -se caminhando”, é assim que se vai preparando as próximas eleições autárquicas, reunindo ideias e pessoas, bem como dispondo sempre de tempo para acrescentar algo de novo neste caminho, desde que seja de mais-valia. A não publicitação constante de qualquer movimento não faz com que nada se passe, muitas vezes não passa de opções de caminhos. Estes caminhos podem ter várias alterações, seja por cruzamentos que surjam, subidas ou descidas, rotundas, ou mesmo porque no caminho surge uma boleia ou uma alteração de transporte, pois poderá haver sempre mais pessoas a querer-se juntar. As eleições mexem-se logo que acaba o ato eleitoral, preparandose o próximo, pois só assim se prepara o caminho em direção ao futuro, garantindo o presente.

 

João Vinagre CDS