“Identifica-se comigo, faz-nos parecer crianças com ordem da mãe para fazer tudo o que é maluco”

Rui Loureiro é atleta da Associação 20 kms de Almeirim e de forma surpreendente conseguiu o apuramento para o Campeonato Europeu de Obstáculos. Em entrevista, o almeirinense conta como se “apaixonou” pela corrida quando antes até tinha alguma aversão.

Como começou o gosto pela corrida?
O gosto pela corrida apurou-se mais neste verão, quando fui de ferias, tinha terminado o Granfondo da Serra da Estrela, e queria dar descanso ao corpo e não levei a bicicleta nas férias! Mas aquilo de estar de férias e não cansar o corpo não é para mim, e foi aí que comecei a dar umas corridinhas à beira mar!

Confirma que fazia desporto mas não gostava de correr?
Sim é verdade, não gostava de correr, ficava com imensas dores nos joelhos, mas ainda hoje não é do que mais gosto, mas já tolero bastante bem a corrida contudo a paixão é a bicicleta.

Nas primeiras vezes sofreu muito?
Desta vez sofri um bocado menos, do que as outras e varias tentativas que fiz pois comecei com calma e bem devagar para habituar os joelhos porque o resto estava minimamente em forma, o meu problema foi sempre os joelhos!!

Quem foram as pessoas responsáveis por este mudança?
Bem, a pessoa que talvez me tenha catapultado para este tipo de provas foi o Francisco, apesar de eu já ter cá o “bicho” mas por uma ou outra razão ainda não tinha feito nenhuma prova destas, e foi por ele gostar também desse tipo de corridas, e para fazermos companhia um ao outro que esta aventura começou.

Deixou mesmo de andar de bicicleta?
Não, nunca! Andar bicicleta é o meu desporto favorito, ando um bocado mais calmo este ano com os treinos pois ainda não me inscrevi em nenhum Granfondo, os euros não dão para tudo… Para já vou andando mais por manutenção, mas gastava de fazer um Granfondo ainda este ano, vamos ver como corre o ano.

Ou complementa o treino?
Sim sem duvida, continuar a pedalar faz bem, treinas outros grupos músculos, trabalhas o cardio, e não massacras tanto as articulações.

No caso particular das corridas de obstáculos, como surgiu o interesse por este tipo prova?
Quando vi pela primeira vez este tipo de corridas despertou-me logo muito interesse, tem qualquer coisa que se identifica comigo, faz nos parecer crianças com ordem da mãe para fazer tudo o que é maluco, desde andar a rastejar na lama, andar pendurado em cordas etc, algumas destas coisas faz-me reviver algumas brincadeiras de infância.

Esta prova que garantiu o acesso ao europeu da Holanda não foi a primeira prova que fez?
Sim como Elite, mas já tinha feito no final do ano passado corridas obstáculos, mas sem tempos e classificações, apesar de haver inscrição para elite nunca tínhamos feito. E este ano é a primeira prova que faço também.

Como se preparou para este prova?
Não fiz nenhuma preparação especial, aliás tinha descurado um bocado a corrida, em relação ao reforço muscular tenho treinado nos Desportos de Montanha com o Frederico Russo, onde tenho tido bastante evolução, em relação aos obstáculos, montei um mini circuito em casa onde faço alguns exercícios e onde também treino, por vezes.

Já ia com o objetivo de ficar nos primeiros lugares e ir à Holanda?
Não! Só soube quando lá cheguei me apercebi que aquela é era uma das seis corridas de obstáculos em Portugal onde os 10 primeiros apuravam para o OCREC, e como em tudo o que faço tento dar o máximo e foi o que fiz, a meio do percurso ia nos 10 primeiro o que ajudou a ganhar animo, a faltar sete obstáculos cerca de três km , a organização informou que eu era o 5º aí tive motivação extra. E correu bem.

Fez a corrida sempre nos lugares cimeiros?
Assim que começamos tentei chegar-me o mais possível à frente da corrida, mas ritmo foi bastante forte eu ia entre os 15/20 primeiros, abrandei um pouco, para ganhar folgo para os obstáculos, depois nos obstáculos quanto mais rápido os fizeres melhor! A abordagem ao obstáculo é muito importante, não podemos pensar muito nem complicar senão só perdemos tempo. No inicio da segunda metade do percurso já ia nos 10 primeiro onde os obstáculos se complicavam e na corrida aparecia as subidas mas íngremes onde aproveitei e dei o máximo e foi aí cheguei a 5º, depois foi gerir até ao final.

O que sentiu no final?
Uma mistura de sentimentos! O de não acredito! E na carga de trabalhos que me fui meter! Mas fiquei entusiasmado, super feliz…

E agora como vai preparar o europeu?
Bem a corrida é fácil de treinar, o treino de força o Frederico Russo trata disso o problema é mesmo os obstáculos, vou tentar ir a um ginásio em Lisboa do género uma vez por outra para me familiarizar com certos obstáculos que são o mais próximo do que poderei lá encontrar!

O que será um bom resultado?
Um bom resultado seria terminar! Sem dúvida, ser finisher será fantástico, logicamente que a ideia é dar tudo que consigo, mas não me posso esquecer que estamos a falar do campeonato europeu de corridas de obstáculos onde está a elite toda, e bem mais familiarizados com estas provas que eu. Vamos ver como corre!
Quero só agradecer especialmente à minha esposa Margarida Madureira pelo apoio incondicional que me dá nestas aventuras e por ter tanta paciência e entender o tempo que passo a treinar, tanto para os obstáculos como nas bicicletas e também ao Frederico Russo que me tem ajudado bastante e também ao Francisco Bento bem como ao Hélder Domingos como companheiros das aventuras.