Bom Caseiro expande marca e produto em Alpiarça

Iuri Pereira começou como apanhador de copos, foi barman em várias discotecas do distrito e do país. Casou e decidiu estabilizar entrando no negócio do pão. O criador da marca “Pão Tradicional de Almeirim” expandiu o seu negócio com um novo espaço em Alpiarça: o Bom Caseiro Coffee House.

Como é que surgiu a ideia de abrir este espaço?
Isto já era um projeto que tínhamos em mente há algum tempo, expandir a nossa marca e o nosso produto. O que se passou foi o seguinte: Nós tínhamos um primeiro espaço para abrir e já era para ter sido iniciado há uns dois ou três anos, mas derivado a algumas burocracias atrasou-se. Entretanto, viemos aqui a Alpiarça almoçar, houve uma pessoa que nos abordou “Há este espaço para abrir, se souberem de alguém interessado, digam-me alguma coisa.” E fui para casa a remoer, sem falar nada com a minha esposa, a pensar que o espaço é engraçado, embora não esteja nas melhores condições, de acordo com o que eu quero trabalhar, mas é um espaço muito fixe e muito bem localizado. Pensei, pensei, ganhei coragem para dizer à minha esposa, que, por norma, é ela que toma a decisão final em casa, e no dia a seguir acordei e “Ana, há esta oportunidade, como é? Vamos avançar? É um espaço muito agradável, tem uma localização ideal em Alpiarça”. Ela, ao início, torceu assim um bocadinho o nariz, mas bem falado, com cabeça, conscientes do que íamos fazer e de quem nos iria ajudar a trabalhar o espaço, tudo bem organizado, ela cedeu e disse para irmos em frente. Vamos começar um sonho quase. Nós já tínhamos em mente montar uma rede de “Bom Caseiro Coffee House”; era para começarmos em Almeirim, mas olha, agarrámos este. O outro é nosso, este é um espaço público, que necessita de contratos, se não abrirmos hoje podemos não abrir amanhã, enquanto que o de Almeirim é nosso e podemos abrir quando quisermos. Já que trabalhávamos há algum tempo com Alpiarça, fornecíamos alguns estabelecimentos e pensámos implementar a marca em Alpiarça. Foi um processo muito rápido: No Domingo fui abordado, na segunda falei com a Ana, a minha esposa, durante essa semana trabalhou-se o negócio, acertou-se valores e burocracias. Na sexta fechei o negócio. Em três semanas eu tinha o espaço aberto. Foi uma coisa tão rápida, que eu nunca pensei que se conseguisse fazer. Trabalharam 20 pessoas aqui dentro, durante uma semana e meia, para deixar o espaço pronto para a abertura. Foi muita gente aqui dentro. Ficaram só os alicerces da casa, foi começar tudo de novo.

Não quer que este espaço seja só mais um café. O que é que o vai diferenciar?
Não, não queremos que isto seja só mais um café. Queremos que seja uma segunda casa para as pessoas. Não quero que as pessoas pensem “Vamos só ali beber um café”. Quero que as pessoas venham, se sentem, bebam o café como se estivessem em casa, descansadas e tranquilas. Que leiam uma revista, que conversem uns com os outros. Quero mesmo que as pessoas se sintam em casa, que não seja só mais um espaço comercial. Ainda faltam algumas coisas, como uma estante com livros. São pequenos pormenores que fazem as pessoas sentir-se à vontade, mas que ainda vão ser compostos.

Como é que estão a correr os primeiros dias?
Estão a correr muito bem. Os primeiros dias, mesmo os primeiros dias, muita gente veio à curiosidade, porque viu uma grande alteração e criou aquela coisa “aquilo mudou, vamos lá ver o que é”. Nos primeiros dias, claro que não estava a funcionar a 100%, tinha o básico. Daqui em diante, irei começar a ter os produtos e os serviços todos. Para ter um serviço de excelência com o cliente é preciso estar a 100%. Mas está a correr muito bem. O estabelecimento tinha caído bastante, as pessoas perderam os hábitos. Agora é preciso que as pessoas voltem a criá-los. Para isso é preciso ter um espaço bonito, com um bom serviço, onde as pessoas se sintam satisfeitas e confortáveis.

A Ana vai ser a gerente?
Sim, a Ana Margarida é uma pessoa que antes de ser gerente é uma grande amiga. Conheci-a através da Ana, minha esposa, foi das primeiras pessoas que conheci em Almeirim. É uma pessoa com bastante experiência e acima de tudo é uma grande amiga. Ela é daquelas pessoas que vejo que está mesmo a vestir a camisola e está mesmo a esforçar-se, e que acredita imenso aqui na casa, e que tem bastante potencial. Ela luta imenso por isto.

É importante ter pessoas assim ao seu lado?
É. É muito importante. Eu, para além deste negócio, tenho a padaria, que é uma coisa completamente diferente. Tenho uma grande percentagem de ausência, aqui em Alpiarça, e é sempre preciso ter alguém com muita experiência num espaço destes, para a coisa andar. Um bom gerente é alguém que tenha muita experiência e que saiba proporcionar um serviço de excelência, e a Ana é 100% isso.

A localização do espaço é boa?
Sim, porque é numa rua principal, tem estacionamento, a esplanada é ótima porque as famílias conseguem vir e ter os miúdos a brincar aqui, porque a estrada ainda é longe. Está num espaço bonito de Alpiarça e num edifício emblemático da vila. Estou bastante contente com o espaço.

Como é que consegue ter tempo para o negócio e para a família?
Desde o início, mesmo na padaria, eu e a minha esposa definimos logo uma coisa: o fim de semana é para a família. De sábado às 13:00h, à segunda às 8:00h é tempo dedicado, única e exclusivamente, à família. São eles que me fazem feliz e são eles que estão sempre ao meu lado. Durante a semana tenho a família à mesma, mas aqui tenho a Ana e na padaria sou eu. Venho aqui à tarde dar uma ajudinha mas a Ana é que é a minha base aqui.

Há quanto tempo é que está ligado à produção do pão?
Estamos ligados a este negócio desde 2010. Parece que não, mas já são sete anos. Comecei por trabalhar na noite, era barman em discotecas. Entretanto conheci a Ana, namorámos e casámos e chegámos a uma altura em que pensámos que tínhamos que assentar e estabilizar na vida. A Ana já tinha trabalhado no ramo, eu não sabia mas aprendi rápido, porque tive gente amiga que me ensinou e ajudou, desde a produção, a gerir o negócio. Com o passar do tempo, fui aprendendo e ganhando maturidade no negócio, mas ao início foi um pouco difícil. Pensámos começar no dia 3 de janeiro de 2010, que era o primeiro dia útil do ano. Em fevereiro fui atropelado; assim que fiquei bom do atropelamento tive um acidente de mota, em março, estive muito tempo no hospital. Depois de ter saído do hospital, tive outro acidente, casei-me (risos). Foi uma metade de ano um pouco complicada. Mas o casamento foi das melhores coisas que tive na vida, foi com a mulher da minha vida, a mulher que eu amo e que quero ao meu lado a vida toda. (cora ligeiramente e brilham os olhos) É uma pessoa por quem eu tenho muita estima, é a minha base. Se estou onde estou hoje, é porque ela sempre me deu a mão.