Alta competição versus sucesso escolar

A UTOPIA (a palavra “utopia” tem como significado mais comum a ideia de civilização ideal, imaginária, fantástica) da relação entre o atleta de ALTA COMPETIÇÃO DESPORTIVA e o seu SUCESSO ESCOLAR. A sociedade, em que vivemos e estamos inseridos, tem muita dificuldade em compreender e aceitar que as regras no ENSINO não sejam as mesmas para todos os estudantes aquando do ACESSO AO ENSINO SUPE RIOR. Serve esta crónica para expor a minha opinião relativamente a esta situação. Praticar desporto ao mais alto nível e consequentemente “andar” na Alta Competição Desportiva quase sempre tem consequências indesejáveis no Sucesso Escolar. Acredito piamente que existem algumas exceções mas que, em todo o caso, provavelmente seriam, ainda, alunos com melhores resultados se não fossem Atletas de Alta Competição Desportiva. É importante referir que sou, manifestamente a favor, do “equilíbrio desejável” entre a escola e as atividades extraescola (sejam elas qual forem). Os jovens que “andam” na Alta Competição Desportiva têm desempenhos desportivos fantásticos mas o seu tempo “não estica” e consequentemente não têm esse “equilíbrio desejável” entre a escola e a atividade que praticam. As muitas ausências na escola, na quase totalidade das vezes devidamente justificadas, e consequentemente a não aprendizagem de conteúdos devido à falta de assiduidade. Uma escola pública, muito pouco “compreensiva” e “tolerante”, para com alunos que inevitavelmente necessitam que a mesma altere o seu normal funcionamento. Traduz-se, na grande maioria das vezes, numa redução considerável dos resultados escolares. É imperativo, perceber e compreender, que o ENSINO SECUNDÁRIO (10.º, 11.º e 12.º anos) exige uma dedicação por parte dos alunos para com o ENSINO que não é compatível com o número de horas de treino diárias de um Atleta de Alta Competição Desportiva. Claro que cada aluno será uma situação específica mas temos todos de perceber que estamos a falar de SUCESSO ESCOLAR e não de resultados desportivos. O desejável e utópico seria o “seu equilíbrio” mas manifestamente deixa de o ser quando são necessários mais horas para um dos lados. Sendo certo que “alguns” dos muitos jovens que andam na Alta Competição Desportiva têm o privilégio de beneficiar do Estatuto de Alta Competição (Decreto-Lei N.º 123/96, de 10 de agosto) para ingressar nas Universidades Portuguesas. E digo “alguns” porque a grande maioria não consegue finalizar o ensino secundário e/ou alcançar as condições mínimas de acesso ao Ensino Superior. Pelo que, consequentemente, o beneficio escolar pelo facto de representarem o País e/ou serem atletas de Alta Competição Desportiva deixa-o de ser. Apesar, de referir anteriormente que a ESCOLA poderia e deveria fazer muito mais por esses jovens, também considero que os jovens que usufruem do Estatuto de Alta Competição deveriam assumir um COMPROMISSO DESPORTIVO durante um determinado período de tempo de modo a justificar o usufruto do respetivo estatuto.

Vasco Carvalho – Professor