Identidade

Que valor podemos hoje dar à nossa identidade? Podemos dizer que tenha igual significado tal como no tempo dos nossos pais e avós? Que importância tem, em dias que as nossas personalidades dividem-se e confundem- se entre a realidade e o virtual, a identidade e individualidade?

No carnaval manda a regra e tradição que se use mascara e disfarce, que se entregue ao espírito folião e à liberdade de adotar uma diferente personalidade. Mas claro está, isto são três dias de festa, e é carnaval, quando, supostamente, ninguém leva a mal. Mas será que hoje, no apogeu das redes sociais, apenas adotamos diferentes personalidades nesses três dias? O que escrevo já não é novidade para ninguém. Qualquer pessoa informada sabe que esta é uma realidade, que cada um de nós, mesmo que não o queira fazer, expressa-se com menos receios em frente a um ecrã do que o faria pessoalmente. E com isso, automaticamente, estamos a assumir uma outra personalidade.

E a identidade? Qual passamos a assumir como, tendo em conta que poderíamos aceitar uma determinada identidade virtual, que existe em simultâneo coma real, a principal e a que realmente nos define? Não digo que acredito nessa dualidade de identidades, isso seria algo como esquizofrenia disfarçada e desculpada com as redes sociais, mas acredito que a dificuldade em saber qual é a real impera por estes dias. A palavra importância tem feito parte da questão, acaba por ser com os menos conhecidos e em redes sociais que muitos acabam por valorizar ainda mais a sua identidade e maior interesse têm em querer enriquecê-la, mesmo que seja isso de uma forma virtual.

Contudo, a convivência e a confiança levam- nos a mostrar, para com os mais próximos, a nossa verdadeira identidade, e nisso reside aquilo que pode ser uma conclusão, qual identidade será a mais importante: A nossa identidade virtual ou aquela que acabamos por revelar?

Bruno Aniceto – Escritor