Da esquerda para a direita: Produtos de Almeirim

Almeirim, terra em que o Tejo se encosta no seu percurso em direção ao mar. Um concelho que tem terras de aluvião e de charneca, em que se consegue retirar delas produtos com as melhores propriedades organoléticas.
Isto não se consegue só com as características dos solos do concelho, mas também com as condições edafoclimáticas, adicionando, por fim, a capacidade de produzir das gentes de Almeirim.
Daqui sempre saíram, para todo o lado, produtos procurados e desejados, pois as sensações que a sua degustação proporciona a quem tem o privilégio de as sentir, faz com nunca mais se esqueça e incute uma constante busca pelos produtos de Almeirim.
Temos vários exemplos de produtos que fazem “O Nome” de Almeirim, como o melão, melancia, meloa, tomate (indústria e comércio), curgete, morango, pêssego, ameixa, maçã, uva (para mesa e vinho), laranja, etc., nos vários tipos de terrenos, mas sempre com um doce especial.
Questionou-me constantemente como é que não se consegue aproveitar estas características, talvez únicas no país, e, a título de exemplo, é incomparavelmente melhor uma laranja produzida em Almeirim do que uma produzida em toda a região algarvia; no entanto, eles têm a marca, e é atrás dessa mesma marca que muitas pessoas vão e que, na minha opinião, vão iludidas.
Em tempos, a Cacer fez esse papel: uma central de alguns destes produtos, que abastecia para todo o país. Recordo-me do movimento constante, nas diferentes épocas das produções, em que a procura era constantemente superior à entrega dos produtores.
E, ainda, a Compal a receber, por exemplo, a laranja, pêssego e tomate para a produção dos seus produtos, assegurando logo na produção destes, uma elevada qualidade aos artigos.
Durante as últimas décadas, infelizmente, alguns destes produtos perderam peso nas explorações, seja por “opção” dos produtores, seja por força do desaparecimento das mesmas.
Podemos sempre tirar partido desta bênção, deste dom que as terras de Almeirim têm – o Tejo – que em anos de cheias proporciona a algumas terras novos e riquíssimos ingredientes, podendo perdurar por alguns anos, mas também do microclima local. É este mesmo Tejo (seus afluentes e outros) que está a sofrer, constantemente, ataques às suas águas, influenciando negativamente todo um ciclo. É este mesmo Tejo que deve ser defendido tanto de ataques Regionais, como Nacionais e Internacionais. Desde a poluição ao transvaso, pois tudo tem influência.
Só uma boa articulação entre as entidades locais, nacionais e internacionais, poderá, no limite, colocar fim a estes ataques constantes.
Nunca nos esqueçamos: precisamos de comer todos os dias e várias vezes ao dia; logo, temos de ter agricultura.

 

João Vinagre – CDS