Da esquerda para a direita: RIBATEJO

Falemos da nossa região, da nossa terra, o Ribatejo.
O Ribatejo é uma das regiões naturais mais singulares e únicas do território nacional. Miguel Torga, na sua obra “Portugal”, salienta, acerca do Ribatejo, o facto que “…nenhuma outra província nossa tenha um lugar tão vincado no mapa lusitano”.
E é este lugar no mapa de Portugal que nós defendemos e exigimos, porque temos consciência da nossa singularidade cultural e das nossas potencialidades. Se existe uma característica fortemente distintiva do carácter ribatejano, essa é o orgulho. Nunca um ribatejano se envergonhou das suas origens, da sua terra, da sua cultura. Poucos, neste país, dirão com tanto orgulho, em relação à sua proveniência, “Sou ribatejano!” como só os da nossa terra dizem e sentem. Este sentimento de pertença e ligação à sua terra é uma enorme mais-valia na persecução dos nossos objetivos de desenvolvimento, porque nos dota de algo essencial para a afirmação da região – identidade. No entanto, ao longo das últimas décadas, muitos decisores políticos – perdidos lá para os confins dos gabinetes do terreiro do paço – têm, por falta de sensibilidade ou por ignorância, tentado, e infelizmente muitas vezes conseguido, apagar a identidade do Ribatejo, misturando-o administrativamente a regiões com realidades económicas e sociais totalmente diferentes, alterando-lhe o perfil ou tentando mudar – ou mesmo proibir – parte da sua essência cultural.
O Ribatejo possui uma identidade única, que tem de preservar e projetar para o futuro, assumindo as suas singularidades culturais, mas também valorizando o seu potencial como região charneira, central na geografia nacional, com potencial para se destacar em diversas áreas, se a aposta for na qualidade e na diversificação dos seus produtos e também na promoção de fontes de conhecimento e investigação, que contribuam para a valorização do nosso património natural, produtivo e humano.
A regionalização, prometida e sistematicamente esquecida, é essencial para o desenvolvimento pleno de qualquer região do país, pois seria uma arma para combater as assimetrias que caracterizam o todo nacional e teria impacto positivo nos aspectos sociais, culturais e económicos.
Mas, enquanto o processo de regionalização não se concretiza, a criação de uma nova NUT II, Ribatejo e Oeste, com as atuais comunidades intermunicipais da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo e do Oeste, seria, para mim, a solução administrativa que melhor protegeria os interesses da nossa região e os seus objetivos de desenvolvimento.

Gustavo Gaudêncio Costa, Presidente do PS de Almeirim.