Dia Internacional da Mulher

Em Março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução para 10 horas de um horário de mais de 16 horas por dia. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde entretanto se declarara um incêndio. Cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como “Dia Internacional da Mulher”.

De então para cá, o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo. A celebração deste dia pretende chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.

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Nos Estados Unidos em 1691, as mulheres votam no Estado do Massachusetts mas perdem esse direito em 1789. Em França um ano antes, em 1788, Condorcet, filósofo e homem político francês, reclama para as mulheres o direito à educação, ao acesso ao emprego e à participação na vida politica. A primeira constituição liberal data de 1822 e tanto esta como as seguintes afirmam que a lei é igual para todos sem referência especial ás mulheres. Esta onde de sede de igualdade dos direitos e de “libertação” das mulheres gere movimentos através do mundo como em 1859 na Rússia com o aparecimento de um movimento feminino em St. Petersburgo a favor da emancipação da mulher. Três anos mais tarde, em 1862 é a vez da Suécia de permitir ás mulheres de votarem nas eleições municipais. Foi em 1866 no Reino Unido que John Stuart Mill, filósofo e economista inglês e um dos pensadores liberais mais influentes do século XIX reclama o direito de voto para as mulheres. Aos 20 anos John Stuart Mill sofre uma depressão que muda radicalmente a sua forma de ver o mundo. Mill toma como lema a ideia de que deve preservar-se aquilo que distingue o homem dos outros animais: a capacidade de escolher. A liberdade de cada um de escolher o seu estilo de vida, de religião e gostos na vida, não de acordo com as tradições e a doutrina oficial mas de acordo com aquilo que surge dentro de cada um. Sendo estas liberdades, para John Stuart Mill mais importantes que a própria vida. Em 1870 a França e a Suécia simultaneamente, deixam as mulheres terem acesso aos estudos médicos. Na Turquia na mesma altura, é inaugurada a primeira urna de Escola Normal destinada a formar professoras para as escolas primárias e secundárias para raparigas. Quatro anos depois é a vez do Japão de abrir a primeira Escola Normal para raparigas. Em 1878 é a vez da Rússia de inaugurar a Primeira Universidade feminina em St, Petersburgo. Susan B. Anthony, nos Estados Unidos em 1882, funda o Conselho Nacional de Mulheres tendo como patrono Victor Hugo o célebre escritor Francês, na altura, um dos chefes do Partido Republicano cuja a frase preferida dele era “quando todos têm acesso ás luzes do saber, então vem o tempo da Democracia”.

Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial e as diversas guerras mundiais as mulheres passaram a exercer uma atividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior á do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos Estados Unidos da América. Salienta-se o facto dessas mulheres com ideias próprias de abertura para a liberalização da condição delas, nunca discriminaram aquelas que, conservadoras, continuaram na mesma condição de depender do marido a nível financeiro. Nas classes média-alta, alta ou da burguesia a grande parte das mulheres conservadoras, guardaram o mesmo estatuto e condição de dona de casa.

Nos dias de hoje, ainda existe uma minoria de mulheres que não aceita trabalhar fora do lar, não se interessando pelos negócios do marido, não querendo assumir responsabilidades e ligadas a um círculo muito restrito de amigas da mesma condição social. Nos nossos dias e perante a lei da maioria dos países, não existe qualquer diferença entre um homem e uma mulher. A prática demonstra que ainda persistem muitos preconceitos em relação ao papel da mulher na sociedade. Produto de uma mentalidade ancestral, ao homem ficava mal assumir trabalhos domésticos. Para a mulher que exercia uma profissão fora do lar, isso implicava a duplicação do seu trabalho. Foi necessário esperar pelas últimas décadas do século XX para que o homem passasse aos poucos a colaborar nas tarefas caseiras percebendo que o contributo dele reaproximava-o da esposa mas não o diminuía aos olhos da sociedade. Eternize este dia esquecendo mentalidades preconcebidas, colaborando mais com elas e olhando-as de igual para igual. Quando todos assim procedermos, não haverá mais necessidade de um dia ser dedicado á mulher. Como disse Eugénio Rosa, Economista: “Penso que o agressivo (físico ou não) é uma pessoa ignorante, pois acabam-se os argumentos e aí resolvem ensinar da forma que infelizmente aprenderam. Acredito que independente do sexo de quem age assim é covarde, não se ama e tão pouco ama o parceiro. A diferença dos animais e do ser humano é justamente a capacidade de pensar, não apenas instintos”.

 

Mafalda Moedas

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