Em Almeirim há um rapper que quer singrar na música (vídeo)

 

Bernardo Caetano é um jovem almeirinense de 22 anos. Conhecido na “cultura hiphop” como OVNI, por ser essa a atitude que pretende deixar no seu público. O jovem rapper, produtor e editor segue a onda de expansão do rap e do hiphop no panorama da música e tem-se expandido como artista.

Para quem não o conhece, quem é Bernardo Caetano ou o OVNI?
Um jovem de 22 anos, residente em Almeirim, com uma forte ligação à música, nomeadamente à cultura hiphop e desde então tenho desenvolvido um gosto especial por esta arte. Hoje dedico-me mais ao rap e à produção musical e áudio visual.

Como é que nasceu e há quanto tempo surgiu o gosto pelo rap?
A primeira música que gravei foi em 2004, entretanto fui conhecendo as outras vertentes: BreakDance, Graffiti, DJing no qual, graças a isso, formei o meu primeiro grupo (AL New Crew). No entanto, fui criando outras ligações no mundo do rap e gravei a minha primeira mixtape em 2006 – na altura, com 12 anos – em São Marcos (linha de Sintra), no antigo estúdio de gravação do grupo Força Suprema no qual contei com a participação dos mesmos (Nga, Don G, Masta e Ice Thug).
Esta mixtape motivou-me a continuar a fazer rap e impulsionou a criação (e acho que posso afirmar isto) do primeiro grupo de rap de Almeirim, os MDK (Microdependentes Krew). Com este grupo concretizámos bastantes projetos, ao qual me juntei à familia LaPraga de Don Corleone, chegámos mesmo a estar um verão inteiro a gravar mixtapes, ep’s, lp’s e até mesmo lançar outros rappers que iniciavam uma carreira no ramo. Considero importante mencionar que, nesta altura, iniciámos os primeiros concertos pelas cidades, em escolas, bares, cine-teatros, etc.

Além de rapper, é também editor e produtor. Isso é uma mais-valia nesta área?
Sem dúvida, porque fazendo um pouco de tudo nas diferentes áreas, tenho muito mais liberdade para lançar o que eu quero, como quero, sem ter que depender de alguém. Para além disso, considero que o facto de ser também editor e produtor me permite exprimir melhor aquilo que penso e que sinto e, consequentemente, leva-me a realçar a minha identidade nas minhas criações.

Vai lançar a MixTape PROCURADO pt2. O que é que representa para si este álbum?
É uma continuação do projeto que lancei o ano passado, sempre num estilo underground, mas sinto que este está mais versátil que o anterior. Tanto pelas experiências que tenho tido, como também toda a evolução que tenho vindo a ganhar desde a última mixtape que lancei, vejo também neste projeto um crescimento, tanto a nível pessoal como musical.

São todos temas originais? Tem a participação de outros artistas?
Inclui 5 temas originais produzidos por mim e os restantes 9 temas são de produtores estrangeiros com a minha co-produção, com letras minhas e de outros rappers. Conto com a participação de Nigga Master e NC (Almeirim), TK e Double D (Cartaxo), Mortex, Kenzy, Arkanoide e Jukadaz (Lisboa), Steve D’Almeida (Carcavelos) e com Raider e Shot (Santarém).

Também participa noutros projetos, como os TibeFamily. Como é que surgiu a oportunidade, visto que os restantes elementos são de outra cidade?
Os TibeFamily surgiram em 2010. Nessa altura, costumava andar muito por Santarém e conhecemo-nos, gravámos umas faixas e em 2011 fui convidado para entrar em vários sons que andavam a produzir. Aí, durante as gravações, vimos que tínhamos muito em comum e que podíamos chegar mais longe, e surgiu o convite para fazer parte do grupo. Desde então tenho estado envolvido nos projetos do Aranha, do BigPhat e do Shot, bem como nos trabalhos como TibeFamily.

Como é que surgiu o seu nome artístico OVNI?
O nome surgiu de uma brincadeira já há uns anos e acho que me define cada vez mais na área musical. Os OVNI’s são sempre vistos como fenómenos inexplicáveis, surgem sempre de relatos questionáveis, e é essa uma das marcas que pretendo deixar: deixar quem me ouve na dúvida, daí o projeto também se chamar “Procurado”.

Almeirim precisa de mais RAP?
Acho que merece mais apoio e divulgação, ainda mais quando atravessamos uma fase em que o rap está a emergir. Noto que nesta zona há muita gente a querer fazer, mas nem sempre sabem como lá chegar. Acredito que se houvesse mais suporte, haveria mais rap na cidade e, quem sabe, haveria um maior impulso para o crescimento da cultura.

Acha que a cidade devia apostar mais neste tipo de música?
O Rap está a crescer cada vez mais em Portugal e, neste momento, é um dos estilos musicais mais ouvidos a nível mundial, por isso, a cidade devia, sem dúvida, apostar mais.

Que projetos tem para o futuro?
Já estou a preparar um novo projeto a solo, ainda sem nome e data mas que sairá muito brevemente nas minhas páginas online. TibeFamily também está a criar um álbum de originais, um projeto muito mais sério que todos, até à data.
Quero aproveitar para agradecer a oportunidade desta entrevista ao jornal Almeirinense e para agradecer a todos que acreditam e sempre acreditaram em mim como artista.
A mixtape está disponível para download em www.facebook.com/TibeFamily
Podem-me encontrar nos diversos sites online, como OvniTbf, ou em www.facebook.com/ovnitbfoficial