1000 dias: A segunda análise de Pedro Ribeiro

Esta é a 2ª parte de um texto que iniciei quando se passaram mil dias de mandato. Nessa primeira publicação fiz o balanço dos grandes números. Da situação financeira da Câmara, de algumas obras, intervenções, etc. Hoje pretendo dar uma perspectiva do futuro, independentemente de quem o vai gerir. É fundamental que os autarcas programem esse futuro, uma vez que as ações que fazemos hoje têm de ter um objetivo mais vasto. Como disse Sénica, um filósofo e político Romano, “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”. Daí a enorme importância de sabermos o que queremos.

Queria começar por algo que foi uma opção estratégica. Durante anos, sobretudo em tempos de abundância, houve quem entendesse que as Câmaras não deviam ter pessoal operário. Que era preferível contratar fora. Almeirim nunca embarcou totalmente nisso mas era necessário fazer investimentos em pessoas, em material e equipamentos. Foi isso que fizemos e estamos a fazer. Adquirimos máquinas, viaturas e ferramentas para que cada vez mais se possa realizar cá dentro os serviços sem recorrer ao exterior. Fazemos mais, melhor e mais barato. Não o fazemos tão depressa, é verdade, porque a falta de pessoal ainda não está resolvida mas no final esta opção está a dar excelentes resultados. Ter eletricistas, carpinteiros, serralheiros. Ter pedreiros, cantoneiros de limpeza, canalizadores, calceteiros, etc, é fundamental para uma resposta rápida e eficaz. Sem isso os custos são insuportáveis.

Uma outra opção tem a ver com as obras/intervenções e com os seus objetivos. Se é verdade que algumas são “apenas” melhoria da nossa qualidade de vida comum, a maioria tem tido por base um propósito futuro e de retorno, sobretudo económico.
A primeira decisão deste mandato foi a compra dos antigos escritórios do IVV para aí colocar a sede da CVR Tejo (Comissão Vitivinícola Regional). Num concelho que possui a maior adega do país; num concelho onde a agricultura e o vinho são fundamentais na economia, faz sentido lutar pela presença das entidades que tomam as decisões. Foi isso que fizemos e conseguimos. Neste momento, estamos já em condições de garantir também, no mesmo local, a sede da Confraria Enófila e a da Rota do Vinho. Para além do emprego que se desloca para o concelho, é a movimentação de pessoas e de entidades que têm também efeito na economia local. Foi dessa proximidade que resultou a campanha no verão de 2016, que levou os vinhos brancos do concelho, durante 45 dias, pelas praias, desde a Nazaré até Monte Gordo.

Outro exemplo é o “Campus da Proteção Civil, “a entrar na sua 3ª e última fase. Uma aposta que sediou no concelho cem postos de trabalho e uma infraestrutura única a nível nacional que vai melhorar e muito a nossa capacidade de resposta local, regional e nacional no âmbito da proteção e socorro. Utilizo as palavras do Sr. Secretário de Estado da Administração Interna, que são elucidativas, “… felicito a Câmara por ter tido a perspicácia de agir a tempo para conseguir esta obra para Almeirim”. Essa perspicácia e capacidade de antecipação foi patente noutra área, quando decidimos avançar com o projeto do crematório, tendo em conta que um município vizinho não o quis fazer.  A nossa luta, e os muitos quilómetros feitos pelo País na procura de fundos e financiamento, permitiram garantir verbas para a recuperação do Mercado Municipal e do IVV, onde pretendemos fazer um multiusos que permita divulgar o que de melhor temos no concelho, sempre numa perspectiva de desenvolvimento económico.

Quando apostamos na cultura e no desporto podemos fazê-lo só numa perspetiva isolada ou numa vertente integrada e de desenvolvimento humano e económico. Vários estudos provam que um euro investido na promoção da atividade física representa vários a menos gastos em saúde. O nosso concelho, fruto de uma política exigente de apoio ao tecido associativo, tem índices verdadeiramente notáveis de participação desportiva. Algo que terá daqui a alguns anos/décadas grandes impactos na saúde das pessoas. É assim que devemos trabalhar, a pensar no futuro, e não apenas no imediato. O mesmo se pode aplicar à cultura. Sem ela não há desenvolvimento humano. Mudámos a forma de encarar esta área e hoje é frequente termos espetáculos esgotados. Espetáculos para todos os gostos e idades, na cidade e nas freguesias. Não há cultura, sem leitura, e daí a aposta de um pólo da biblioteca em Fazendas de Almeirim. A aposta em novas infraestruturas, quer no desporto, quer na cultura, com especial enfoque na recuperação das “Escolas Velhas”, é um sinal para o futuro. Para garantir essas infraestruturas foi necessário adquirir terrenos; só assim hoje é possível requalificar a zona envolvente ao pavilhão municipal, o campo do sporting e o futuro parque urbano em Fazendas de Almeirim, para dar apenas alguns exemplos dos muitos existentes.

Mas, como referi, associada ao desporto e à cultura está também uma vertente económica, sobretudo num concelho onde a gastronomia tem um peso grande na economia local. Eventos regionais, nacionais e internacionais são sinónimo de dormidas, de almoços e jantares. São sinónimo de euros que ficam no concelho.
Conhecidos pela Sopa da Pedra, temos procurado promover essa vertente, através de dias temáticos, como o dia dos namorados ou o Festival da Sopa e do Petisco, que mudou, inclusive, de local. Estamos a recuperar o conceito do Melão D’Almeirim, através de uma aposta na certificação e na qualidade. No futuro, queremos que nos visitem também por isso e com isso possam “gastar” mais no concelho. Este é um produto de excelência que tem de ser promovido para ser vendido a um preço justo. Também na área da promoção da nossa gastronomia realizámos a semana da Enguia, em Benfica do Ribatejo, cujo sucesso nos leva este ano a alargar a duração do evento para quinze dias.

Outra área de importância estratégica é a educação. Para além da aposta que tínhamos realizado nas novas tecnologias, no apoio desportivo, nos prolongamentos dos horários, em novos centros escolares, na construção de refeitórios, etc, faltava completar a rede. Desenvolvemos os projetos de requalificação para todas as escolas do “plano centenário” e já iniciámos obras da Moinho de Vento, seguindo-se Paço dos Negros e a Freguesia de Benfica do Ribatejo, assim como os arranjos exteriores do Canto do Jardim (P3). Um esforço de cerca de 2 milhões de euros que vale a pena, porque sem uma verdadeira escola pública não há desenvolvimento da sociedade. Estamos ainda em negociações com o Governo para conseguir verbas para as obras na Escola Secundária. Apesar de esta não ser uma escola da nossa responsabilidade direta, esta requalificação é muito importante para os nossos alunos.
Mas a educação não são só edifícios, é sobretudo pessoas e a criação de um gabinete dedicado à promoção do sucesso escolar, o esforço na contratação de mais auxiliares de ação educativa, as CAF´s, etc. São apostas de um concelho que se preocupa com os mais novos e quer que eles tenham, todos, as mesmas oportunidades.

As preocupações com as pessoas levou-nos a intervir na área da saúde, apesar de esta competência não ser também diretamente connosco. De uma forma discreta mas firme, conseguimos um reforço muito grande de médicos para os centros de saúde, a reabertura da extensão de saúde da Raposa, a requalificação das extensões de Benfica do Ribatejo e Fazendas e espero ainda este ano a reabertura da de Marianos. A saúde de proximidade é fundamental na nossa forma de ver o futuro, e daí a insistência com quem decide. Insistência esta que se estende ao Hospital Distrital de Santarém, uma unidade que necessita urgentemente de melhorias para servir com dignidade e maior eficácia a nossa população.

Na segurança rodoviária, pavimentámos e repavimentámos dezenas de quilómetros de estradas por todo o concelho, pintámos 50 km de marcas rodoviárias e centenas de passadeiras. Construímos pontes. Boas vias de comunicação são ferramentas importantes na nossa economia.

Num tempo em que a solidariedade é crucial, apoiámos as várias instituições de apoio humanitário, como a FAC, o Abraçar, a Cáritas, etc. Desenvolvemos um banco de voluntariado e uma Loja Social. A ação social da Câmara presta hoje mais apoios que no passado. Também aqui há uma preocupação com o futuro. Não podemos deixar que os mais necessitados saiam do “sistema” e vivam à margem da sociedade. Precisamos que estejam integrados para que as futuras gerações não repitam os mesmos comportamentos. É aqui que entra também um programa de recuperação de habitações, sobretudo no centro histórico e nos bairros mais antigos. Pretendemos comprar casas devolutas, recuperá-las e devolvê-las ao mercado. Uma forma de apoiar quem não consegue crédito bancário para compra de casa própria mas tem meios para pagar uma renda que, ao fim de 20, 25 anos, lhe permite ser dono da habitação. Uma solução que se fez muito em Portugal no pós 25 de abril e que teve excelentes resultados que ainda hoje são visíveis. Esta iniciativa, além de recuperar habitações, permite recuperar zonas nos centros que, por norma, se vão degradando. Preparar o futuro é também realizar e atualizar os nossos planos estratégicos. O PDM está a entrar numa fase final de revisão após 16 anos, o Plano de Urbanização de Almeirim está a avançar, e o plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico está em fase de recolha de contributos.
Melhorar os serviços é uma forma de facilitar a vida das pessoas e contribuir para menores custos de deslocação, menos faltas ao trabalho, etc.
Conseguimos um espaço do cidadão em cada freguesia. Alargámos o horário de atendimento em vários serviços, permitindo que os munícipes possam tratar de alguns assuntos fora dos seus horários de trabalho. Elaborámos e fizemos aprovar um conjunto de novos regulamentos municipais, bem como atualizámos outros já existentes.

Muito mais haveria a dizer sobre o que foi feito e do que isso implica para o nosso futuro. Mas termino, com mais uma aposta na área específica da economia. A realização de infraestruturas que permitam escoar produtos é fundamental, foi por isso que construímos uma ponte nova em Benfica do Ribatejo. Estamos a rever o PDM para que a Sumol+Compal possa investir na sua unidade fabril. Incentivámos o investimento na Zona Industrial e isso hoje já é visível, com empresários a promoverem aí construções. Criámos um cento de inovação onde vamos acolher start ups e permitir o Coworking, criando condições para que projetos inovadores se possam instalar e desenvolver no concelho.

Muito mais havia a dizer, mas o espaço não o permite. Estou certo que Almeirim continua a ser um concelho que se aconselha, para viver, trabalhar e investir.

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