“Não irei arrastar-me”, diz Nuno Carrapato

De regresso ao futebol ribatejano, e ao Coruchense, Nuno Carrapato faz uma retroespetiva da época do clube, do final da carreira e do desejo de se tornar treinador no futuro.

Que balanço faz da primeira volta ao serviço do Coruchense?
O balanço é positivo, estamos sólidos, confiantes e dentro dos objetivos que o clube se propôs, sabemos da qualidade dos nossos adversários mas temos consciência que o campeonato é uma prova de maratona e não de velocidade, as contas serão feitas no final, o nosso objetivo passa por nos classificarmos o mais acima possível no final, e neste momento dependemos só de nós, a 2” volta será difícil mas estamos preparados, estamos dentro dos objetivos traçados.

Ser a defesa menos batida já era um objetivo?
É um extra, deixa-nos orgulhosos, é um fator a ter em conta, já que nos ajuda a ter mais pontos, o importante é a equipa e temos mostrado consistência a esse nível, no futebol ataques ganham jogos e defesas vencem Campeonatos; apesar de não ser o fator mais importante, sabemos que nos vai ajudar, sofremos 6 golos em toda a 1ª volta e isso é sinónimo de pontos.

Qual tem sido o segredo para tão bom registo?
O segredo está na equipa, na forma como nos organizamos, na união, no sacrifício, no compromisso, na qualidade do treino… equipa jovem mas com maturidade e qualidade acima da média, encaramos os jogos da mesma forma, concentrados, e como se se tratasse de uma final, focados nos 3 pontos de cada jogo mas respeitando sempre o adversário, sabendo que só a um nível elevado podemos conseguir o que desejamos, o segredo do nosso sucesso está na União do grupo.

Ainda assim, e apesar de tão bom registo, não passam o Natal na liderança. Era um objetivo?
A liderança é um ojetivo e não um obsessão para o Coruchense, sabemos o que queremos e para onde vamos, o nosso objetivo passa por terminarmos a época de consciência tranquila e termos a noção de que fizemos tudo o que idealizámos.

Porque optou por regressar ao Continente e ao Coruchense?
Regressei ao Coruchense porque aprendi a gostar daquele clube no pouco tempo que lá estive, um clube com ambição e estável, gerido por pessoas de bem, o clube e o Treinador mostraram interesse no meu regresso e estou com todo o gosto no clube para ajudar a alcançar os objetivos.

Vai jogar até quando?
Vou jogar até me sentir bem fisicamente, jamais vou traçar uma data porque sei que no dia a seguir me iria arrepender, mas também não irei arrastar-me, tenho noção que esse dia chegará mas enquanto sentir paixão de treinar e jogar como se estivesse na 1ª liga, vou continuar. Sinto que a experiência é importante para o clube mas também para os mais jovens. De uma coisa tenho a certeza: procurei ser sempre um exemplo para os mais jovens e o que precisarem de mim estarei lá, tal como ex-colegas fizeram comigo. Fui profissional desde os 18 anos, joguei em todas as Divisões Nacionais; por todos os Clubes por onde passei, deixei saudades e fiz amigos… sempre estive no Futebol de forma humilde, sabendo o quanto tinha que batalhar, cumpri quase todos os objetivos que tracei na minha carreira… tenho a certeza que se não tiver nenhuma infelicidade a nível físico serei eu a escolher o momento. Com 40 anos tenho o privilégio de continuar a jogar e ser eu a escolher quando e onde vou terminar!

Sente-se bem?
Muito bem, como lhe disse há pouco serei eu a decidir até quando, conheço colegas meus que por lesão ou situações extras tiveram que terminar mais cedo; por enquanto não sinto essa preocupação porque me sinto útil. Depois de vencer uma Taça do Ribatejo quero subir de Divisão na Associação de Futebol de Santarém. Se tal acontecer, vou poder dizer um dia que subi em todas as Divisões dos Campeonatos Portugueses.

E o trabalho no Footkart. Como está a correr?
Estou muito satisfeito pela oportunidade que o Footkart me deu para poder ensinar e emprestar a experiência que adquiri ao longo dos anos às crianças que pretendam ser Guarda-Redes; tal como eu, todos eles têm um sonho que nunca será fácil de concretizar, motivo-os e mentalizo-os para a forma que têm de treinar, tentamos formar Desportistas como também Seres Humanos para o futuro. Todos nós temos a responsabilidade de os ajudar a serem melhores amanhã. Os jovens do Footkart têm noção do caminho difícil mas ao mesmo tempo sentem que não é impossível. Poder fazer parte de um leque de Treinadores e de um Grupo tão ambicioso como é o Footkart, deixa-me orgulhoso.

Sentiu saudades das crianças?
As crianças é o que de melhor e mais puro existe no mundo. Poder saber por muitas delas que sentiram saudades minhas e que eu tive delas deixa-me satisfeito, é sinal de gratidão, sinal que caminhamos no caminho certo, que o trabalho está a ser produtivo, que estão a gostar e que todos estamos a evoluir; não só elas aprendem como também eu estou a aprender com todas elas. Tenho a noção de que só alguns lá vão chegar, mas também vê-los a lutar e treinar por um sonho deixa-me feliz. Desejo que acima de tudo todos eles tenham prazer em treinar, que desfrutem ao máximo desta posição ingrata no futebol. Digo-lhes muitas vezes que ser Guarda-Redes é uma paixão e que somos diferentes de todos os outros colegas, muito dificilmente ganhamos jogos e que temos que estar preparados e termos uma grande força mental, o importante é eles serem apaixonados pela posição, tal como eu sou, sei que apesar de crianças têm esse sentimento.

É um trabalho que se vê a fazer no futuro?
É um desejo, tenho tirado Cursos e Formações de treino de Guarda-Redes, procuro atualizar-me, pretendo evoluir e aconselhar-me com colegas que já estão no meio. Tenho a certeza que quando chegar o dia de desafios mais ambiciosos, estarei preparado. O objetivo é continuar a aprender e ter o privilégio e o prazer de ainda fazer o que mais gosto, que é jogar.