Atleta das Fazendas de Almeirim no ponto mais alto do mundo

Pedro Bento participou no Yak attack, no Nepal, tornando-se o primeiro português  a chegar ao ponto mais alto do mundo. O próximo desafio ainda está a ser analisado, mas deverá passar ou pelo Crocodile Trophy, na Austrália ou pelo Mongólia Bike Challenge, na Mongólia.

Como correu a prova no Nepal?
A prova correu de acordo com as expectativas, tendo cumprido o principal objetivo, que seria o de me tornar Finisher e o de ser o 1º Português no ponto mais alto do mundo em que é possível passar com uma bicicleta.

Faça uma análise no plano desportivo e no extradesportivo.
No plano desportivo fiquei surpreendido com a minha prestação, tendo em conta todos os problemas de “Infeção respiratória” que me afetaram durante os meses de preparação. Consegui alcançar um 17º lugar entre 38 atletas. Durante muito tempo consegui andar nos 10ºs lugares, mas a partir do momento em que subimos acima dos 3500m de altitude comecei a ressentir-me da falta de oxigénio; os problemas mecânicos também ajudaram a que a classificação baixasse. No entanto, a classificação era apenas o objetivo secundário porque neste tipo de provas estamos a competir diretamente com atletas profissionais.
No plano extradesportivo foi uma prova extraordinária, pois o facto de a comitiva da prova ser composta por 40 atletas e meia dúzia de pessoas ligadas à organização faz com que exista um maior convívio entre todos. Aliás, era prática corrente que, após cada etapa, todos nós estivéssemos reunidos na mesma sala a beber chá e a partilhar aventuras.

Que episódios mais peculiares lhe aconteceram?
Aconteceram-me vários episódios, quer durante a corrida quer fora da corrida. Um dos que mais me marcou foi na etapa da passagem aos 5400m onde a organização cedeu um track GPS errado o que fez com que me perdesse nas montanhas, durante 2h. Estar perdido numa montanha, com frio, fome e cansado durante tanto tempo não é uma ideia muito agradável, no entanto, e após algum tempo de desorientação, consegui encontrar o percurso novamente, mas apenas depois de ter ultrapassado um vale com 5 a 6 m de altura, por onde corria um rio e que nos dividia do percurso correto. Fazer uma descida que, já por si só é difícil – temos de ter bastante cuidado com o que pode aparecer de frente. Por várias vezes estive quase a bater de frente com motas, jipes, burros e até Treker’s que faziam o percurso. Ter de ficar muitas vezes em albergues onde o quarto tinha apenas duas camas com um lençol e o chão em terra batida, janelas que não fechavam e por onde passava o frio gélido da noite, que nos obrigava a dormir dentro do saco cama completamente vestidos e calçados. Albergues onde, de noite, não conseguíamos tomar banho porque a água era gelada e onde, de manhã, não havia água por estar congelada nos canos. Existia apenas uma casa de banho para 50 pessoas e era necessário ir primeiro buscar água num balde.

Esta aventura foi mais que uma prova?
Foi seguramente mais do que uma prova, foi sobretudo um desafio aos meus limites e uma lição de vida. Um desafio por todas as dificuldades que passei, mas uma lição de vida por ver as condições em que a maioria das pessoas vive nestes locais. A humildade e a boa disposição que mantêm, apesar de todas as dificuldades e a pobreza em que vivem. O facto de conseguirem sobreviver apenas com o mínimo essencial, sem luxos e sem facilidades, fez-me ver que, muitas vezes, nos lamentamos sem razão.

Qual a recepção das pessoas lá, quando souberam que as tinha ajudado?
É inacreditável a forma como fui recebido, mesmo antes de saberem que tinha contribuído com um donativo, fizeram-me sentir completamente à vontade e receberam-me de uma forma muito cordial. Logo assim que entrei no campo, uma rapariga de 12 anos, de seu nome Annu, levou-me a conhecer todo o campo, inclusive a tenda onde morava com a sua família. Depois, na segunda vez que os visitei, participei num ritual em que, supostamente, passaria a ser seu “irmão” e, por último, na terceira, fui já recebido por vários jovens que tinha conhecido anteriormente e que queriam saber como tinha corrido a prova. Mesmo os adultos são pessoas muito sociáveis e de uma humildade enorme e têm sempre um sorriso sincero para nós.

Que agradecimentos faz?
Quero agradecer especialmente à minha família e amigos pelo grande apoio que me deram ao longo de toda a prova! Quero agradecer, também, a todos os que me apoiaram e colaboraram comigo nesta prova e que acreditaram no meu projeto, tornando desta forma mais fácil a minha participação. Ribabike (Miguel Ângelo e Anabela Lopes); Restaurante o Forno ( Beta); Peçasgaz ( Lisa Lopes); Farmácia Mendonça; Câmara Municipal de Almeirim; Associação 20kms de Almeirim; Jornal o Almeirinense; Tânia Capela Templum Corpus (Depilação a laser); Bruno Mendes (Osteopata); Óptica Vanessa ( Hugo Lourenço) e Secção ciclismo 20kms de Almeirim (Francisco Sardinheiro). Por último, quero agradecer a todas as 27 pessoas que contribuíram para a angariação de fundos para o Projeto Our Dream Village. A todos, o meu obrigado.