“Não houve a mudança que Almeirim precisava”

Estamos a um ano das eleições autárquicas, e depois das declarações de Pedro Ribeiro, o Jornal O Almeirinense inicia um ciclo de entrevistas com o outros atores da política local. E neste capítulo começamos com Sónia Colaço, dos Verdes.

Que balanço fazem do mandato de Pedro Ribeiro?
A nossa avaliação incide sobre as opções que foram sendo tomadas durante este mandato, não só pelo presidente mas também por todo o Executivo de maioria PS. Consideramos importante que se tenha feito a consolidação orçamental e o pagamento do PAEL de forma antecipada, como forma de diminuir os constrangimentos a que a autarquia estava sujeita, mas pensamos que este facto veio dar razão à CDU quando votou contra a adesão ao mesmo. No entanto, não partilhamos da mesma posição em relação às taxas aplicadas no concelho, nomeadamente do IMI e da Derrama, pois consideramos que há margem no orçamento para aliviar os munícipes e as micro e pequenas empresas das percentagens aplicadas nestas taxas. Em relação a aquisições de património que têm sido realizadas, como por exemplo os celeiros da EPAC, há muito que a CDU defendia essa aquisição como forma de integrar esse espaço em área de domínio público, e evitar que aí se desenvolvesse um projeto privado imobiliário, como chegou a ser defendido pela maioria socialista em mandatos anteriores. No entanto, o preço foi agora demasiado elevado. Sugerimos nas reuniões que alguma da memória edificada pudesse ser salvaguardada e adaptada ao projeto atual, o que não foi tido em conta. Outro exemplo que gostaria de deixar é o edifício do IVV já adquirido que, concordando com a sua aquisição, não apoiamos que aquele seja um espaço para serviços do Estado e não para as associações locais. Se por um lado podemos entender algumas decisões e escolhas desta maioria, outras não nos satisfazem nem agradam.

Que auto-avaliação fazem da oposição ao longo destes três anos? Não consideram que tem estado especialmente “apagada”?
É preciso referir que quando se está em minoria existem muitas limitações, pois não estamos a tempo inteiro nem temos responsabilidades de execução. A disponibilidade para acompanhar as diversas atividades e temas não é a mesma, pelo que temos de atuar sobre os assuntos que consideramos mais importantes, mesmo que não sejam os mais mediáticos. Temos noção que o trabalho que se faz nas reuniões não é acessível às pessoas, o que se discute nas assembleias de freguesias, na assembleia municipal e nas reuniões de câmara não é divulgado, de uma forma geral. Muitas vezes só se sabe o sentido de voto e não as razões que levaram a votar-se de uma determina maneira. A informação que chega ao público, veiculada pelos órgãos de comunicação regional, na maioria das vezes, apenas refere as ações do executivo, dando uma fraca cobertura às posições da CDU. Esta iniciativa do Almeirinense é uma louvável exceção que esperamos ver continuada. No entanto, considero que o trabalho de fiscalização da atividade da maioria absoluta do PS tem sido cumprido, e a CDU tem apresentado propostas que conduziram a que hoje haja mais transparência na gestão da autarquia. Deixo, como exemplo, o facto de termos pela primeira vez regulamentos municipais nas áreas desportivas, culturais e sociais, que foi algo que a CDU sempre defendeu.

Que balanço fazem da atividade do vosso partido ao longo dos últimos três anos? Tem-se afirmado como oposição à liderança do PS?
No nosso entender, a CDU tem tido um papel importante através de uma vigilância atenta e responsável à atuação do Executivo, sendo particularmente importante quando nos confrontamos com uma maioria absoluta, bem como na apresentação de propostas que visem melhorar a qualidade de vida dos habitantes do nosso concelho. A CDU tem, ao longo deste mandato, dado continuidade ao trabalho que foi realizado nos anos anteriores, pois muitos assuntos e problemas se mantêm. Por exemplo, estivemos sempre preocupados com a falta de médicos de família no concelho, participámos na vigília que decorreu em de frente ao Centro de Saúde de Almeirim e no abaixo-assinado que juntou mais de 4 mil assinaturas. Foi um assunto que levámos para as reuniões de Câmara e da Assembleia Municipal, de modo a que todos se pronunciassem sobre o assunto e pudessem atuar junto das entidades responsáveis. Recordamos ainda que as obras de recuperação das extensões de saúde acontecem pelo facto de alertarmos para a existência de amianto nas instalações. Sobre o ordenamento do território continuamos a defender a revisão urgente do Plano Diretor Municipal, pois continuam a ser apresentadas pela maioria propostas avulsas de alteração ao mesmo, que no nosso entender não servem o desenvolvimento correto, harmonioso e ordenado do concelho.
Em relação aos regulamentos municipais, a CDU sempre defendeu a sua existência, pois consideramos que os regulamentos devem ser instrumentos claros, que permitam a todos os cidadãos saber quais são as regras que existem em vigor sobre determinada área. E por isso participámos nas consultas públicas, com várias sugestões de alteração, nomeadamente no regulamento de atribuição de apoios na área desportiva.
Não esquecemos os espaços verdes e o ambiente e por isso denunciamos a falta de limpeza e de higiene nas ruas e alertamos para a falta de substituição de árvores. Deixámos o alerta para o estado de degradação da Vala Real, sendo que defendemos a sua limpeza para usufruto da população, através de intervenção de profissionais com a necessária articulação entre as entidades responsáveis. Para terminar, não podemos esquecer o património cultural e gastronómico que temos, pelo que a CDU propôs que fossem estudadas soluções para a defesa e valorização do túnel do Paço Real, junto ao mercado municipal, assim como as ruínas do Paço Real da Ribeira de Muge, em Paço dos Negros. Sendo que consideramos necessário valorizar a zona dos restaurantes, pela importância que tem como sala de visita, continuamos portanto a defender a existência de um posto de turismo naquele local.

Que principais diferenças notam entre a liderança de Pedro Ribeiro e de Sousa Gomes?
Cada pessoa é um ser único, considero que não me cabe comparar as suas características pessoais. No entanto, as opções políticas tomadas ao longo dos anos, o que representaram e os impactos que tiveram e ainda podem ter na vida dos almeirinenses, são possíveis de ser comparadas e analisadas. Não devemos esquecer que ao longo de vários anos, ambos partilharam a gestão da autarquia, Pedro Ribeiro foi vice-presidente do executivo de Sousa Gomes por isso partilha das responsabilidades dessa gestão.

Consideram que Pedro Ribeiro é o principal favorito a vencer as próximas eleições autárquicas?
Não me apercebi de já haver nomeações de pessoas a candidatarem-se para as eleições autárquicas em Almeirim. Neste momento, e partindo da hipótese que todos os cenários são possíveis, pois estamos a fazer meras suposições, o que posso dizer é que normalmente quem exerce o poder consegue maior favoritismo à partida. Isso é algo que acontece habitualmente, independentemente de ser esta ou aquela pessoa. Como considero que a vereação atual tem atuado de forma muito semelhante ao que já vinha sendo executado anteriormente, penso que há uma continuidade de políticas e não houve a mudança que Almeirim precisava, e agora caberá aos eleitores decidirem.

Qual o timing que consideram ideal para apresentar os candidatos às eleições autárquicas de 2017?
É natural que o momento de apresentação dos candidatos da CDU surja em 2017, mais perto das eleições. Será obviamente a tempo da campanha eleitoral, cumprindo o próprio calendário eleitoral, que todas as forças políticas que pretendam concorrer, terão de fazer no próximo ano. Acredito que este assunto começará a ser mais abordado e haverá maior curiosidade por parte dos eleitores, à medida que o tempo avança. Estamos conscientes que o tempo passa rápido, mas na CDU acreditamos que as coisas para darem certo têm de acontecer o seu devido tempo. No entanto, estamos ainda a cerca de um ano das próximas eleições autárquicas. Até lá, continuamos empenhados em apresentar sugestões, questionar algumas decisões e opções tomadas pela maioria do executivo PS, de modo a acompanhar as situações e os diversos assuntos que vão surgindo.

Será a Sónia novamente a cabeça de lista da CDU às autárquicas em Almeirim?
Essa é uma pergunta a que ainda não é possível responder, pois os partidos que constituem a CDU, o PCP e os Verdes assim como a Associação Intervenção Democrática, ainda não decidiram nesse sentido. Os dois partidos terão ainda de avançar para um processo de auscultação, a realizar entre todos os que participam e dão a cara pela CDU, o que ainda não foi feito mas que terá, obviamente, de acontecer, entretanto. Neste momento, todos aqueles que têm responsabilidades no concelho, e enquanto temos o mandato a decorrer, continuam focados em contribuir com trabalho e dedicação para encontrar as melhores soluções para o concelho, para quem vive, trabalha e estuda em Almeirim.

Conquistar Benfica do Ribatejo era um objetivo declarado nas autárquicas de 2013. Amândio Freitas poderá encabeçar novamente as listas nessa freguesia?
É ainda prematuro fazer previsões sobre a composição das listas, nessa ou noutra freguesia. Como já referi, ainda teremos que realizar muitas reuniões para se ouvir todos aqueles que têm algo a dizer sobre o assunto. Mas posso desde já afirmar, que tenho plena confiança na discussão que será feita entre todos aqueles que se interessam pela freguesia. Assim como acredito que do resultado desse debate interno, quando chegar o momento de analisar quem de futuro estará disponível para integrar as listas da CDU em Benfica do Ribatejo, teremos as pessoas certas para se dedicarem ao projeto que a CDU tem para a sua freguesia.

Com ou sem Amândio Freitas, tem a CDU o objetivo de conquistar alguma freguesia ou o objetivo passará por reforçar a votação?
As forças políticas que compõem a CDU têm por natureza serem realistas. Quando analisam a situação política e decidem avançar para eleições tentam criar objetivos que sejam alcançáveis. Quero com isto dizer que o reforço de votação é sempre um objetivo em Almeirim, pois acreditamos não só no que a CDU representa no concelho e no seu historial de ligação à população, como acreditamos no nosso programa, no nosso trabalho e contamos com a dedicação de todos aqueles que compõem as listas. São todos importantes para atuar e defender o que consideramos ser essencial para a vida das pessoas, seja na câmara, na assembleia municipal ou nas freguesias. O que eu sei é que quanto mais força a CDU tiver, com mais eleitos nas freguesias, na assembleia municipal e na câmara, melhor estarão defendidos os interesses das populações do concelho de Almeirim, tal como temos vindo a demonstrar.

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O outro lado…

Pede opiniões ao pai e à mãe sobre questões políticas?
Partilho muitos assuntos que me dizem respeito, incluindo política. É normal falarmos sobre o que afeta a nossa vida, pois cada um tem a sua opinião e gosta de a partilhar.

Alguma vez se imaginou ser de direita?
Quem nasce numa família cuja única fonte de rendimento é o trabalho dos pais com todas as dificuldades e sacrifícios que fizeram, para dar às filhas a oportunidade de estudarem e terem um futuro melhor, não se imagina ser de direita.

Vai sempre à Festa do Avante?
Tento ir nem que seja um dia, e gosto de levar outras pessoas comigo. Fui pela primeira vez aos 4 anos com os meus pais.

Qual foi a primeira manifestação a que foi?
Algures em 2000 na universidade em Aveiro, devido a cortes orçamentais que punham em causa os apoios da ação social escolar no ensino superior.

Quando vai está sempre gritar?
Já disseram que “a cantiga é uma arma” e eu digo que as palavras também são. A sua força é importante quando estamos numa manifestação.

O que faz a Sónia Colaço nos tempos livres?
Gosto de ler, ouvir música e estar com a família e os amigos.

A que brincava quando era pequena?
Crescer na década de 80 deu-me a liberdade de brincar na rua com os vizinhos. Andar de bicicleta, jogar às escondidas ou à bola eram atividades que todos partilhávamos.

Qual o último filme que viu?
Fui ao cinema ver “A Rapariga Dinamarquesa”.

E o último livro?
Estou a ler Alves Redol, a trilogia do “Ciclo Port-wine”.