“Esta vitória tem um grande significado para mim”

Pedro Garcia exerce funções na Polícia de Segurança Pública e tornou-se, no dia 24 de setembro, um dos vencedores da mítica Subida da Glória, depois de Vanessa Fernandes ter ganho, em 2015.  O Jornal foi conhecer melhor o atleta dos 20 km de Almeirim, que fez história.

Como correu a prova?
A prova correu muito bem, não tive qualquer incidente, o que ajudou bastante. Tinha como principal objetivo baixar dos 40 segundos, tendo conseguido 37 segundos na eliminatória, sabendo de antemão que, com esse tempo, conseguiria qualificar-me para as meias finais. A meia final foi dura, uma vez que parti do lado direito da subida, o que traz alguma desvantagem. Contudo, sabia que estava bem e só tinha de gerir o esforço. A final foi mais emotiva do que física, pois enfrentei o vencedor de todas as últimas edições e o favorito à vitória, contudo, previ a tática que o Ricardo iria utilizar e consegui gerir o meu esforço.

Já vi as imagens, e veio de trás para a frente. Era assim que tinha pensado a corrida?
Claramente. Sabendo que o meu adversário tinha de assumir a frente, arrancando sempre muito forte, só tive de gerir a subida, de forma a esperar pelo timing certo para atacar e não ter nenhuma quebra física até ao final.

Quando é que percebeu que podia fazer?
Após a meia final, percebi que, fisicamente, estava muito bem, e as pernas estavam a responder de forma positiva. Quando foi anunciada a final, no sorteio das posições, soube que iria sair do lado esquerdo e então, a partir daí, comecei a acreditar, pensei e prometi a mim mesmo – hoje esta vitória tem de ser minha.

Foi de ficar sem fôlego?
Sim, os últimos metros têm percentagens de inclinação muito acentuadas, é um esforço muito curto, contudo, é muito intenso.

Demorou a conseguir falar com a repórter que fazia a cobertura da prova?
É uma dificuldade enorme falar, depois de um esforço daqueles. A prova é tão curta que mal dá tempo para respirar durante a mesma e, quando acaba, o corpo precisa de uma grande quantidade de oxigénio para voltar ao estado normal, daí a dificuldade.

Como se preparou para a prova?
Fiz umas adaptações dos treinos que normalmente faço, simulando as características deste tipo de prova.

O já ter ido o ano passado, ajudou para este ano?
Sim, a experiência do ano passado ajudou bastante, pois este ano já conhecia bem melhor a dificuldade da subida, adequando melhor o esforço às minhas capacidades.

Que tem a subida da Glória de tão extraordinário?
Para além de ser uma prova lendária, onde já passaram grandes nomes do ciclismo nacional, o meio envolvente é magnífico, o público delira e incentiva durante toda a subida.

Foi o resultado mais importante?
Sim, esta vitória tem um grande significado para mim, porque, além de ter conseguido atingir o meu objetivo de fazer um bom tempo, a concorrência é muito forte, o que se traduz num enorme desafio.

O que muda?
Com esta vitória acredito ainda mais que, com esforço, dedicação e muito trabalho consigo alcançar melhores resultados nas competições em que participo.

Para o clube foi um triunfo importante depois da vitória da Vanessa, no ano passado?
Penso que sim. Com a visibilidade associada a esta prova, é sempre muito bom para qualquer equipa estar associada a vitórias e ver o seu nome divulgado a nível nacional.

Como surgiu o BTT?
O BTT surgiu através do meu tio, José Oliveira, e de um amigo, Rogério Duarte, que um dia me influenciaram a experimentar esta modalidade, e a partir daí foi crescendo o “bichinho”.

Há quanto tempo?
As minhas primeiras voltas de bicicleta começaram por volta de 2007, desde então comecei a andar cada vez mais, tendo começado a levar a modalidade mais a sério a partir de 2014, altura em que me federei.

Que tem de tão cativante?
Em primeiro lugar, eu adoro desporto. Sempre fez parte da minha vida e adoro a adrenalina da competição. Depois, vem a paixão pelas bicicletas, e a sensação de liberdade que nos transmitem. Associando isso à beleza da natureza, como pode não ser cativante para qualquer pessoa?