Pampilho ao Alto 13

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Este rifão popular cabe que nem uma luva aos tempos atuais. O mundo não gira sem computadores, telemóveis, televisão por cabo com muitos canais – pagos obviamente – ; ultimamente, a internet e as chamadas redes sociais alteraram os comportamentos dos cidadãos . Perdeu-se o hábito de ir à noite ao café conviver e tomar uma bebida entre amigos. Hoje o convívio é feito via face book, ou outras redes, e as pessoas já quase só convivem virtualmente. Os centros das cidades , vilas e aldeias ficam desertos depois das oito horas da noite. Os centros urbanos perderam vida porque as pessoas ficam agarradas ao computador e já não saem a passear em grupos ou família. Consequência dessa falta de pessoas na rua, os cafés encerram e o comércio definha, e cedo apaga as montras, deixando ainda mais desertas as ruas e avenidas . É obvio que atualmente, frequentar o café não tem os mesmos custos do tempo do escudo. Hoje tudo é desproporcionalmente mais caro, e o orçamento familiar não suporta essa carestia agravada pelos custos das operadoras de telecomunicações . Mas o perigo maior destas formas de comunicar colocadas hoje à disposição do cidadão via Internet, é a livre possibilidade de acesso a conteúdos de cariz pernicioso. Quer dizer, hoje qualquer criança tem acesso a conteúdos que só deveriam estar disponíveis para adultos. A Internet é como um supermercado em que os produtos estão expostos à disposição de quem os queira adquirir. Isto impõe aos Pais um dever de alerta destes perigos aos seus educandos , ou talvez até, restringindo-lhes a utilização da Internet, apenas na presença de um adulto. Por vezes pequena medidas podem evitar grandes problemas. Bom seria que as pessoas fossem exatamente isso, pessoas, e não, quase exclusivamente seres virtuais. Causa tristeza ver um grupo de jovens sentados a uma mesa quase sem trocarem palavra, cada um de cabeça baixa virado para o ecrã do seu telemóvel. Enfim, mudam-se os tempos!

Ernestino Tomé Alves – Advogado

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