“Estas oportunidades são sempre importantes”

No ano passado ficamos a conhecer melhor Frederico Ferreira com o projeto Made In Almeirim. Este ano e inserido FIFCA o jovem artista almeirinense expôs na Biblioteca de Almeirim. Frederico fala ao nosso jornal e explica os projetos que tem realizado e os objetivos que tem para o futuro.

Frederico, como surgiu a possibilidade de expor no FIFCA?
O convite surgiu por parte de um elemento da organização, que no passado ano viu a exposição do projeto Made In Almeirim, e daí convidou-me para expor os meus trabalhos. O que para mim foi um orgulho: ter a possibilidade de expor no ano de arranque desta outra vertente do FIFCA.

Que tipo de trabalhos expuseste?
Eu expus um pouco de tudo, visto que me licenciei em Design de Ambientes. Expus, claro, trabalhos da área, ou seja, maquetas e desenhos. Entretanto, estou em Mestrado de Produto e também expus trabalhos dessa área, e ainda pintura, que embora não seja uma área a que a nível académico eu me dedique, sempre foi algo que gostei de fazer; e finalmente estas obras saíram da prateleira.

São trabalhos feitos na escola, ou fora da sala de aula?
A grande parte dos trabalhos são feitos em âmbito escolar, embora também tenha alguns trabalhos que sou capaz de fazer fora, tal como a peça que foi apresentada em público, no dia da inauguração, peça essa que se chama “Mãe”. Muito sucintamente, esta peça foi feita especificamente para esta exposição, com o intuito de homenagear, não só a minha, como todas a mães.

Que importância tem para si, mostrar o trabalho e sair do habitat escola?
Para mim é bastante importante, porque é para isso que trabalho, para depois o poder mostrar. E estas oportunidades são sempre importantes porque é mais uma possibilidade de mostrar aquilo que eu mais gosto de fazer. Já para não falar das críticas que vêm de fora, de pessoas que vêm pela primeira vez o meu trabalho, e esta é, para mim, agora, a melhor forma de saber se o público gosta do meu trabalho.

No dia 16, na inauguração da exposição, emocionou muita gente. Pode partilhar o momento com os nossos leitores?
Sim, é verdade, tal como já referi, fiz uma peça específica para esta exposição e para um pessoal especial: para a minha e para todas as mães, e foi durante essa apresentação e explicação da peça, que até ao momento em que a minha mãe a destapou estava tapada, que se gerou muita emoção à volta daquele momento, o que me agradou bastante, porque é nestas alturas que vemos que conseguimos o nosso objetivo.

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Que reações colheu nesta exposição?
Sem dúvida que o momento mais alto foi a apresentação da peça, e toda a emoção que as pessoas presentes fizeram questão de partilhar comigo. Mas, tirando este momento, todas a reações foram ótimas, e todos os presentes foram muito críticos, no bom sentido. E um dos comentários que muitas pessoas fizeram, e foi o que eu mais gostei, foi o facto de apreciarem o trabalho a diversos níveis e acharem bem o facto de serem trabalhos de um artista da terra.

Os trabalhos eram para venda?
Podiam, mas não estavam, porque há exposições com esse intuito. Contudo, eu, para o FIFCA, pretendi apenas expor os trabalhos para demonstrar o que faço de melhor e mostrar mais uma vez que Almeirim tem valor.

Como está a correr o curso?
O curso está a correr bem, quase a acabar o primeiro ano, mas ainda há alguns trabalhos pela frente, dentro e fora do curso.

Quais são as suas maiores influências?
Bem, tenho influência de muitas pessoas, desde arquitetos a artistas plásticos e, claro, designers. Contudo, e estando quase a começar a desenvolver a minha tese de mestrado, o que me tem influenciado mais nos últimos tempos são, sem dúvida, as tradições, e com essas inspirações já desenvolvi dois trabalhos que têm como base a reinterpretação, ou até mesmo a reintrodução das mesmas. Um desses exemplos é o “Projeto Pedra”, que visa reintroduzir a tradição perdida de servir a sopa da pedra com a pedra no interior.

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