Benefícios de uma cidadania ativa e responsável

Se há tema que não deverá ser indiferente a qualquer cidadão é o que diz respeito às crianças, especialmente às que se encontrem em situação de fragilidade. O mesmo sentimento deverá ser estendido a qualquer ser humano que se encontre numa situação desfavorecida. Não obstante as horas e linhas dedicadas a esta matéria em particular em enunciar uma cartilha sobre os Direitos Humanos, o certo é que pelos mais diversos motivos, mesmo nas sociedades ditas como mais evoluídas, são praticadas atrocidades e violados com demasiada frequência os direitos internacionalmente consagrados.
No caso das crianças, embora a lei determine que os pais são responsáveis pelos filhos, competindo-lhes zelar pelos cuidados de saúde, segurança e vida, enfim de um modo geral pelo bem-estar destes, o certo é que nem sempre a realidade é esta. Também nem sempre esta presunção de diligência é assegurada nos países mais pobres, em guerra ou com motivações culturais diferentes das ocidentais.
A verdade é que, por vezes, mesmo ao nosso lado registam-se histórias de vida agoniantes…Umas deveras evidentes, outras desenroladas de modo hediondo, mas debaixo de um miserável silêncio.
Acontecem, sim! “ Porta com porta”, “debaixo das nossas barbas”, a “olho nu”, entre outras tantas expressões populares que serviriam para “ ilustrar” histórias tristes de vida.
E nós, cidadãos, perante estes factos, onde gravitamos? Preocupamo-nos verdadeiramente com estas matérias? Temos ou não o “ direito” ou melhor o dever não só de nos insurgir como de lutar, dentro das nossas possibilidades, contra tais situações de injustiça? O que nos dita a consciência perante a constatação destes casos?
Será que de forma responsável nos predispomos voluntariamente para proteger ou afastar do perigo daquele ser humano, ou cobardemente puxamos a cortina, porque tal assunto não pertence ao rol das nossas responsabilidades?
Com qual das situações nos identificamos?
Reflexão feita, analisemos outro registo.
Dentro do contexto enunciado, comummente, dois cenários acontecem na nossa sociedade. Nos casos que nos são relatados e que ocorreram a Kms de distância somos os primeiros a julgar com desprimor todos aqueles que não agiram em prol do elo mais fraco…Mas se o caso ocorre na porta ao lado da nossa, mesmo sendo os apelos e os sinais de perigo mais que evidentes, respondemos, em jeito de tranquilizante da nossa consciência: – …Não são contas do meu Rosário…!
Mas a verdade, essa que por vezes teima em ser muito dura, é que enquanto membros de uma sociedade temos o dever de agir ou de saber como agir perante estas situações, e porquê???? Porque em certos casos para além de constituir um dever legal, trata-se de um dever moral, um dever humanitário, um dever de cidadania! O que equivale a dizer que cada vez que não agimos no sentido de repormos um direito violado, estamos a contribuir para derrubar os valores de uma sociedade… uma sociedade que é a nossa, aquela que tantas vezes, reclamamos que perdeu os valores, que precisa de ser mais humanizada.
Se efetivamente pretendemos uma sociedade mais equilibrada devemos aprender a exercer a cidadania. Exercer a cidadania é ter consciência de seus direitos e obrigações e lutar para que sejam colocados em prática.

Uma boa cidadania implica que os direitos e deveres estejam interligados, donde o respeito e cumprimento de ambos contribuem para uma sociedade melhor. Mas para tal é necessário que o cidadão esteja efetivamente predisposto para o exercício da cidadania.
Com efeito, no que toca a construir uma sociedade todos deverão participar ativamente, todos são responsáveis em carrear valores que tanto almejamos para construir uma sociedade melhor. Só assim a espécie humana poderá verdadeiramente evoluir, só assim uma nação poderá progredir.
Tal como enunciou Fernando Pessoa, “ a vida é o que fazemos dela!”…. O mesmo acontece com a nossa sociedade!

 

Claúdia Pina
Presidente Associação de Pais de Almeirim

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