Psitacismo agudo

A arte de maldizer, sem o recurso a qualquer tipo de fundamento epistémico, a começar nas inanidades ao café e culminando em confabulações um tanto ao quanto patológicas, são premissas que não devem reger o debate público e com resultados conclusivos deficitários e superficiais. Olhemos para uma das propostas do Orçamento de Estado para 2016 e como esta afeta diretamente a vida dos almeirinenses e a economia do concelho.
Uma clara viragem no paradigma político está à vista, sendo uma pretensão virar a carga fiscal para o grande capital em detrimento da enorme sobrecarga sobre os rendimentos que advêm do trabalho que se sentiu nos últimos anos, estimulando em parte a economia pela via do consumo. Não é tão só uma viragem do foro ideológico mas uma visão do modelo de sociedade que precisamos muito diferente. Uma reviravolta necessária porque o cidadão deve permanecer sempre no plano central e não ser apenas visto como um dano colateral da matemática económico-financeira. O cidadão não deve nunca ser encarado pelo Estado como uma despesa básica mas sempre como um investimento a longo termo.
A descida do IVA na restauração de 23% para 13% nos alimentos e comidas comercializadas é uma dessas medidas. A medida que entrará em vigor no dia 1 de Julho e sendo de aplicação progressiva, prevê apenas a redução na totalidade incluindo bebidas (espirituosas, vinho, cerveja, refrigerantes) para o primeiro semestre de 2017. O impacto económico no nosso concelho é indiscutivelmente positivo, potenciará sem quaisquer dúvidas a criação de dezenas de postos de trabalho e o aumento do poder de investimento por parte das empresas locais do sector em largas centenas de milhares de euros. A médio prazo, a descida será fundamental também ela em produtos como o vinho e que afetará diretamente os nossos produtores locais, estimulando as suas cotas de produção e o consumo de quem nos visita.
Todas as previsões indicam que o sector da hotelaria e restauração, que lembre-se, caiu cerca 25% entre 2008 e 2015, tem agora perspetivas de maior crescimento com a previsão de maiores índices de faturação para 2016.
O diploma para a reposição dos quatro feriados (dois civis e dois religiosos), que teve a sua aprovação anterior ao OE na generalidade, é também uma excelente notícia para o sector. Convenhamos que cada dia feriado equivale a um fim de semana de trabalho, com um impacto financeiro significativo para todos os estabelecimentos.

 

Eduardo Oliveira – Estudante Universitário

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