Três anos de coisa nenhuma

Fechadas as eleições legislativas e digerido o seu improvável desfecho, encerra-se também o ciclo (talvez demasiado longo) de aliança entre o CDS e o PSD. E se a nível nacional essa separação é clara e inequívoca – notem-se os sentidos de voto no Orçamento Rectificativo – o mesmo não se pode dizer ao nível autárquico.
Volvidos 3 anos desde que o PSD e o CDS em Almeirim assinaram o seu acordo de entendimento, os pés de barro da pseudo-aliança estão à vista: inexistência de oposição, o quase desaparecimento do CDS em Almeirim e uma sobrevivência quase poética, para não dizer patética, do grande partido da coligação.
Ainda existe quem atribua ao PSD, pela sua dimensão formal (e apenas formal), um peso ou mais valia superior ao do CDS em Almeirim. Este suposto gravitas atribuído pela inerência lógica dos números tem tanto de falso como de prejudicial: deixa o CDS inerte e conforma o PSD, afasta o seu eleitorado e adia a mudança.
Que se entenda de vez, e com os olhos postos na terra: as coligações não podem servir para mascarar a falta de ideias ou para tapar a visível falta de qualidade de quadros com meia dúzia de “independentes”. É que com o fim do MICA (agora reencarnado no PSD) e com o redondo fracasso do Movimento de Quem Não Sabe Fazer as Malas, percebemos que à direita do PS só há espaço para quem for sério e procurar a qualidade de quadros, não entrando em discussões tontas e em promessas vazias. Ao CDS local pede-se que encontre quadros competentes, que falem de forma simples, desassombrada e que não dependam da Câmara para nada. Só assim poderá crescer e adequar a sua dimensão autárquica à realidade do eleitorado à direita. Que o resultado desastroso da coligação de há 3 anos não se repita, sob pena de ver o PS com mais um vereador. É que em comum no PSD com o CDS só o nome dos seus presidentes Nuno e Nuno, já desgastados em excesso nos jornais. Um candidato que já falhou e um que não vai chegar a falhar.

Diogo Pascoal
Presidente Distrital da Juventude Popular

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