Arnaldo Seixas um vereador sem pelouros

No passado dia 9 de outubro festejou 87 anos. Arnaldo Seixas foi bancário e a O Almeirinense fala também na banca, mas a nossa conversa proporcionou-se porque é presença muito regular nas reuniões da Câmara Municipal de Almeirim. E não vai só para ouvir, também participa parecendo um vereador.

Senhor Arnaldo Seixas porque é presença assídua nas reuniões de Câmara?
Porque tenho interesse nos assuntos da nossa terra. Algumas coisas, é certo que poucas eu tenho conseguido, pois há outros assuntos que são esquecidos. Costumo dizer que eles só fazem as coisas que seja fumo na chaminé deles.  Não vou para lá com coisas megalómanas, porque sei que a Câmara não tem dinheiro para isso. Levo assuntos de pequenas coisas que se podem arranjar com pouco dinheiro e mesmo assim ás vezes não às vejo resolvidas. Também não posso deixar de dizer que, infelizmente, pouca gente vai. O meu colega Lucas é que também aparece, depois não há muito mais.

Acha que todos deviam ter uma participação mais ativa?
Deviam, mas não fazem caso disto para nada. Isto é como os partidos políticos, eles querem lá saber da pátria para alguma coisa. Infelizmente, querem é política. Não faço muito caso dos partidos por isso. É só mentiras … é só mentiras.

Antes não existia esta liberdade que há hoje. Tem por isso outra sensibilidade?
Eu sempre disse o que achava. Já o tempo do Salazar, conhecido por Botas, eu dizia mal. Eu nunca fui abordado pela PIDE, felizmente, e já nesse tempo falava.

O Presidente da Câmara, Pedro Ribeiro, faz sempre questão de o ouvir nas reuniões. Gosta desta abertura?
Gosto sim. Tenho muita consideração por ele. Praticamente andei com ele ao colo, o pai dele também era filho de uma pessoa minha amiga. Eu também não tenho vergonha de dizer que sempre fui do PS. Desde 1974 … (Pausa).

Acha que todas as reuniões deviam ser abertas ao público?
Não, há algumas que têm assuntos que só interessam aos vereadores e ao presidente. Ainda mais porque há coisas que têm de ser sigilosas.

Chegou a ocupar cargos políticos?
Não, felizmente nunca. Fui convidado uma vez por José Gomes para integrar as listas, mas não quis.capa-seixas2

No plano mais pessoal. O Senhor Arnaldo fez carreira profissional na banca?
Fui sempre bancário, sempre na agência de Almeirim do agora Santander, mas na altura Lisboa e Açores.

Qual a sua história de vida?
A minha vida foi sempre a trabalhar (sorrisos). Cheguei a ter, com o meu pai, uma coisa que era chamada correspondentes bancários.

A crise que hoje ainda atravessamos não foi também gerada pela banca?!
Foi. Os bancos davam tudo e mais alguma coisa. Antes só existia dinheiro para casas, nada mais. O cliente tinha que mentir com obras nas residências, mas afinal era para comprar um carro ou outra coisa qualquer. Na altura da euforia dava-se para tudo e mais alguma coisa.
Até na agricultura se pedia dinheiro para terras e gastava-se em carros, jipes … só mais tarde é que se apertou. Foram milhares ou milhões para estas coisas.

Quais os melhores e piores períodos em Almeirim?
Almeirim nunca foi uma terra de grandes coisas, nem de más coisas.

E que diferenças existem?
Para melhor certamente. Fizeram-se algumas obras, não há que negá-lo. Efetivamente tem andado para a frente. Devia ser mais talvez, mas as câmara têm menos dinheiro.

Gosta de ver o seu neto envolvido na política?
Nem gosto, nem desgosto. Achei graça porque eu nunca fui político. Agora teve um desgosto, estava convencido que ia ganhar as eleições legislativas com maioria. Tem só 19 anos e ouve aquela gente a falar e absorve aquilo com facilidade. Eu não acredito em nada dessa gente. Prometem muito e depois vê-se o que se vê.

 

 

Em 1955 lembra-se do aparecimento de O Almeirinense?
Lembro sim senhor. Muito bem. Eu já era um homem crescidinho com 27 anos. O Padre Oliveira, tinha também a professora primária que era a tia Maria Carlota Cerveira … e acompanhei o crescimento. Foi um crescimento lento, era um jornalinho …

Que opinião tem do jornal?
Acho engraçado, hoje em dia tem artigos engraçados e já é um jornal que se lê. Estou todas as quinzenas à espera que venha.

 

.