NO TEMPO DA NOSSA INFÂNCIA…. por Augusto Gil

Nos anos 50/60 a bata branca, a mala castanha em papelão reforçada em lata, o lanche diário, o cabelo penteadinho era um símbolo politicamente falando de um aluno de classe média ou rica mesmo com sandálias já pertencia ao lado abastado, muita das vezes eramos nós a imagem da riqueza fingida lá de casa por isso mesmo nós os filhos éramos o espelho e sabe Deus. A saca de ganga azul ou mesmo uma sacola feita à pressa de pano-cru, os suspensórios ou o cinto feito de um cordel, as calças ou calções com buracos a ver-se a ciroulhita por baixo, as unhas com um toque de águia, com três quilos de (nhã nhã) já faziam a diferença, estes eram os pobres. Mais tarde no aspecto da alimentação, no vestir, no modo de falar e estar, muitos com aquele ar arruaceiro na altura, como estamos acostumados a ver alguns filhos de ciganos actualmente nos Supermercados que no seu comportamento por lá, é uma vergonha…para a classes que dizem que nós somos os que descriminamos…! Graças a Deus que há testemunhas!

Quando às Quartas-feiras lá se dispunham alguns professores a levar-nos até ao Campo do Sobral de mãos dadas a pé e em bicha de pirilau para fazermos actividades (quais) já era o fim do mundo só por não estarmos na Escola já justificava. A Foto dos alunos inclusos foi tirada há já uma “macheia” de anos, em 1960/61 nas denominadas Escolas Velhas, por baixo onde hoje se encontram as 2 janelas grandes. Foi na escola primária que me apercebi da descriminação que havia da malta bem e mal vestida oriunda da Nitreira, do Pupo, das Poupas, da Troia entre os mais privilegiados e os menos privilegiados que eram aqueles que apanhavam mais reguadas, mais varadas e também eram eles a quem davam menos atenção até no recreio e pensava já nessa altura, “afinal há mais desgraçados neste mundo, deduzia “eu” mas desgraçado professor que ousasse em não nos educar! HOJE?

PORRA…..

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