“Os médicos têm de aparecer em Almeirim”

Carlos Matias é o principal rosto do Bloco de Esquerda para as legislativas do próximo dia 4 de outubro. Sobre Almeirim, reconhece o dinamismo no associativismo e desporto e defende descida do IVA na cultura e restauração.

O que o levou a aceitar um lugar como cabeça de lista por Santarém?
A consciência de que o meu conhecimento profundo das realidades do nosso distrito, bem como o meu forte compromisso com a luta social e política dos trabalhadores – levo décadas de luta política! – fez-me pensar ser a hora de dizer “sim” aos que há muito me impulsionavam para esta candidatura. E também porque nas horas difíceis há confrontos a que não podemos fugir. É um imperativo cívico enfrentar a política de austeridade, lutar por um futuro digno, acabar com a submissão do nosso país à finança, à Alemanha e aos seus mandados em Portugal.

Que ideias tem como necessidades para o Distrito?
No distrito, como no país, é preciso criar emprego estável, combatendo o desemprego. Como?, perguntará. Obrigando os bancos a financiar os sectores produtivos, como a agricultura, em vez de financiarem a especulação e alimentarem roubo de colarinho branco. E é preciso repor salários, subsídios e reformas e pensões, acabando com os cortes, pois são um roubo que não pode continuar. É preciso acabar imediatamente com a sobretaxa do IRS e não aos poucos, como quer o PS. Há que reconhecer a dignidade de quem trabalha ou já trabalhou. E dar esperança aos milhares de desempregados, grande parte sem qualquer apoio social. Mas também são precisos serviços públicos ao serviço das populações. O que se passa com o Tribunal de Almeirim, por exemplo, é uma vergonha e um exemplo de como são tratadas as pessoas. A funcionar há anos num edifício muito degradado, não serve a quem lá trabalha, nem a quem recorre à Justiça. As escolas têm de ser dotadas de recursos humanos e financeiros suficientes, e os professores respeitados.

Para tudo isto é preciso dinheiro?
Pois é. Por isso, é preciso reestruturar a divida externa, um autêntico saco sem fundo, para onde vão milhões de euros sugados a um povo inteiro, por conta de juros e prestações. Como já serviu, afinal, a dívida continua a crescer, as metas para o deficit nunca são cumpridas, mas o país fica mais pobre e mais endividado.

E no caso particular do concelho de Almeirim?
Desde logo batendo-nos por um médico de família para cada um e para cada uma. Como prometeu o governo há quatro anos, mas não cumpriu! Em Almeirim, muitas pessoas continuam sem médico de família. A saúde é um direito humano e com a saúde não se pode brincar: os médicos têm de aparecer. E aparecerão se lhes pagarem condignamente, se o Ministério os tratar com respeito e não os empurrar para o sector privado ou mesmo para a emigração. Por outro lado, os bancos deverão ser obrigados a atribuir parte do seu crédito à economia produtiva. As micro, pequenas e médias empresas têm de ter acesso ao crédito! Só assim, poderá ganhar nova vida a zona industrial de Almeirim, com a criação de mais emprego. Almeirim é conhecido pelo seu grande dinamismo associativo, nos planos desportivo e cultural. Defendemos a criação de um organismo precisamente vocacionado para o apoio direto a clubes e associações e a criação de um Ministério da Cultura com uma dotação de 1% do orçamento de Estado. O IVA para material de prática desportiva e para as atividades culturais tem de baixar. É inadmissível uma filarmónica pagar IVA a 23% para comprar pautas e instrumentos.

A descida do IVA na restauração é urgente?
O IVA na restauração tem mesmo de baixar, para assegurar a sobrevivência de inúmeros pequenos negócios. São muitas famílias a depender desta atividade. Mas o IVA não tem de baixar apenas na restauração. Tem de baixar também na energia elétrica e no fornecimento de água. São essenciais à vida.

Vai lutar por isso?
Claro que sim, como o Bloco de Esquerda sempre fez, dentro e fora da Assembleia da República.

E no caso da saúde que tem sido bandeira da Esquerda (em particular de Os Verdes) no distrito e no concelho?
Já lhe falei nos médicos de família. Mas propomo-nos também resolver os problemas com a assistência hospitalar. No Hospital Distrital de Santarém, as urgências continuam a funcionar com médicos contratados, num trabalho muito exigente que exige estabilidade e um forte sentido de equipa. Há que integrar nos quadros os médicos em falta, quer nas urgências, quer noutras especialidades como anestesiologia.

O que será um bom resultado para o Bloco Esquerda no distrito?
Reeleger um deputado, dando uma voz mais forte ao povo na nossa região

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