“Começou como clube de bairro e hoje é dos melhores”

No ano em que o Clube Amadores de Pesca do Ribatejo assinala as Bodas de Ouro entrevistamos António Figueiras, um dos maiores impulsionadores da Pesca no concelho.

O que há de mais importante nestes 50 anos?
O mais importante são 50 anos de atividade sem interrupções. O clube começou por ser um clube de bairro e depois foi caminhando, foi-se reforçando, foi conquistando títulos. Começou com uma sede de quatro metros quadrados e hoje tem uma sede de primeiro andar, tem uma concessão, tem sócios… tem uma grande atividade ao longo do ano. E é um clube que presta o serviço público: tanto na formação de crianças – ao longo dos anos já tivemos seis campeões nacionais e dois campeões mundiais – tanto como através da Barragem dos Gagos – o espaço estava subaproveitado e nós recuperamos e estamos a melhorar, com a colaboração da Junta de Freguesia, dos amigos, dos sócios… Eu sou presidente do clube há 20 anos, já é muito tempo, tenho trabalhado com muita gente que tem dado o melhor pelo clube e temos dado passos significativos para que o clube possa ser cada vez melhor, é esse o objetivo.

O Clube tem muitos títulos?
Temos 46 presenças nas seleções nacionais, dois campeonatos nacionais, quatro regionais. Temos seis títulos Esperança uma das apostas desta direção foi a formação da juventude, porque o clube e a pesca precisam de jovens, e ao longo destes anos apostamos e tem sido uma aposta ganha. No campo “fishing” tivemos também vários títulos, muitas presenças assíduas nas seleções nacionais. Estávamos no escalão máximo da pesca, descemos, e este ano estamos a disputar a segunda divisão nacional. O clube é um dos maiores clubes em Portugal e queremos que continue a ser.

O objetivo da subida está presente?
É evidente. Estamos a lutar, temos uma equipa jovem com muita experiência, são muitos jovens que já pertenceram às seleções nacionais e vamos lutar para que estejamos outra vez no escalão máximo da pesca desportiva no próximo ano. O clube não é só pesca. Tem outra atividade, que é a presença nas Tasquinhas de Almeirim e nas Fazendas. Todos os meses fazemos eventos na Barragem dos Gagos, temos a secção de campismo… o clube tem uma grande dinâmica de trabalho.

Há muito a ideia de que a pesca é um desporto muito caro. É verdade?
Sim, a pesca é muito mais cara do que a caça. Na pesca de competição, os materiais são extremamente caros. Hoje em dia, qualquer jovem que participe no Campeonato Nacional e no apuramento da Seleção custa cerca de mil euros ao Clube. Porque o clube ajuda no que pode os jovens oriundos de famílias com mais dificuldades, com os custos, a deslocação, os iscos, os engodos… normalmente o clube suporta essas despesas.

Quem gosta e não tem condições não deixa de poder praticar...
Evidentemente. O Clube ajuda dentro das suas disponibilidades, e para isso temos uma grande dinâmica, e temos os eventos na Barragem dos Gagos, as Tasquinhas de Almeirim e das Fazendas de Almeirim, o Jantar de Aniversário, o Concurso Nacional… E quero agradecer aos pescadores e à grande equipa que nós temos, porque a camaradagem e a entreajuda tem sido, ao longo destes anos, muito importante para obter os resultados que obtemos.

Quantos filiados/pescadores tem o Clube neste momento?
Em competição tem 17 filiados, mas na Pesca de Lazer tem cerca de quarenta e tal.

A concessão da Barragem dos Gagos para o Clube foi um ato de gestão positivo?
É um ato positivo… mas nos primeiros dois anos investimos mais do que recebemos, porque a Barragem dos Gagos, que neste momento é uma fonte de receitas, era um espaço que estava abandonado. Tivemos de fazer a pista, contratar máquinas. Além de a Junta colaborar, a Câmara pouco ou nada tem colaborado. Teremos que alongar ainda a pista para que a capacidade seja maior. Mas vamos caminhando.

Quando será o Concurso Nacional?
No último fim-de-semana de agosto.

É possível ainda transformar aquela zona numa zona de lazer, não sendo só um local onde os pescadores tenham uma pista?
Neste momento já é um espaço de pesca e de lazer. Há umas mesas feitas por nós e tem dois grelhadores. Tem capacidade para 80 pessoas, vamos tentar aumentar o espaço com o apoio da Junta e da Câmara, e acrescentar um telheiro para realizar os nossos sorteios e a concentração durante o inverno. Aproveito para lembrar ainda que a Barragem está neste momento com uma capacidade de 90%. É um sítio onde os clubes podem fazer os seus eventos para ganhar mais algum dinheiro. Os clubes de pesca do concelho e associações humanitárias não pagam.

A Barragem de Alpiarça tem um problema de oxigenação. Não há perigo de poder acontecer ali também?
Não, porque a Barragem de Alpiarça foi feita numa zona de sapal, onde havia muita matéria orgânica. E também teve durante muito tempo uma densidade de pesca acima da média. Nós, nesse aspeto, preservamos para que não haja tanta densidade de pesca. E a água não é poluída. É uma das melhores barragens para o peixe se reproduzir. A Barragem tem muito peixe.

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