A opinião de Eurico Henriques

Dia 1 de Dezembro.

Hoje é a primeira vez que inicio o dia em horário de trabalho. Até à entrada em vigor da deliberação sobre a anulação de dias feriados, assumida pelo atual governo, o 1.º de dezembro constituía um dia especial. No ano de 1640, por este dia, um conjunto de cidadãos portugueses ousou sair de casa mais cedo com um propósito: restaurar a independência do país, desanexando-o do reino de Espanha.

Esta união, que vinha de 1580 e fora sufragada nas cortes de Tomar realizadas por Filipe II de Espanha e I de Portugal, ao princípio foi desejada por uma maioria de portugueses, principalmente das classes mais privilegiadas, mas acabou por trazer ao país sérios e gravosos inconvenientes.

A valorização das leis espanholas em detrimento das nacionais, a utilização dos recursos do país em proveito do reino de Espanha e dos seus interesses, a utilização de jovens portugueses nas forças militares para atuarem em conflitos internacionais. Tudo isto constituiu um forte motivo para a revolta e desejo de separação.

A guerra da Independência percorreu um largo período de tempo. Os confrontos militares travados nas fronteiras do Alentejo permitiram a vitória das forças independentistas portuguesas. De entre todas não podemos deixar de ter em conta a batalha das linhas de Elvas.

Hoje, ao anular a celebração deste dia, parece que se pretende esquecer o que foi o passado de resistência e heroicidade dos que lutaram para que pudéssemos ter um país independente, uma língua comum que nos permite uma identidade cultural forte e firmada no mundo, falada em vários países.

Celebramos também os 800 anos da língua portuguesa, os 400 anos da publicação da extraordinária obra de viagens que é a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.

Sentimos o pulsar da nossa identidade quando lemos Camões, representamos Gil Vicente. Com o prazer ao ler e perceber as personagens de D. Manuel de Melo. Com José Manuel Bocage surge o português alegre e humorista, conflituoso, cómico, jocoso, por vezes inconveniente. Alexandre Herculano trouxe-nos a qualidade da investigação e o rigor do estudo.

Podemos continuar toda a produção intelectual e cultural através de Fernando Pessoa e de todos os que, nos séculos XIX e XX, produziram obras de mérito e de afirmação cultural e científica de grande notoriedade.

Agora, já no século XXI, podemos confirmar essa identidade com o desenvolvimento cultural e tecnológico que temos. Um país livre e promissor. Com as dificuldades inerentes à sua própria razão de existência. Mas com o sentido de ser uma Pátria para todos os que a ela pertencem.

Por tudo isto e tudo o mais que temos e somos, proponho uma saudação especial a todos os que ousaram pegar em armas para defesa e afirmação de Portugal.

 

Eurico Henriques – Vereador da Cultura – Câmara Municipal de Almeirim – 1 de dezembro de 2014.

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